PREVISÃO DO TEMPO

Frente quente mantém alerta para temporais no Sul e ventos acima de 100 km/h

O cenário de curto prazo exige foco absoluto na proteção de vidas e do patrimônio no Sul, enquanto os produtores do Brasil Central devem acelerar o passo antes da virada do tempo

Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

A previsão do tempo desta quinta-feira (2) traz um comunicado de emergência e segurança máxima para toda a metade sul do mapa produtivo nacional. O eito das previsões climáticas aciona alertas severos de destruição e tempo extremo para a Região Sul, decorrentes de um violento choque de massas de ar que gerou uma frente quente e represou temporais avassaladores sobre as fazendas.

Ao mesmo tempo, os modelos de monitoramento de médio prazo projetam o avanço de bloqueios chuvosos pesados em direção ao Sudeste na segunda quinzena do mês.

Confira a previsão do tempo com o meteorologista Arthur Müller:

Alerta máximo: 36 horas de fúria climática no Sul

O panorama meteorológico para as próximas 36 horas é de altíssimo risco e exige que o produtor rural acione imediatamente todos os protocolos de contingência. O eito da tempestade está cravado sobre o norte do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e o extremo sul do Paraná.

Os modelos computacionais indicam potencial para a ocorrência de microexplosões atmosféricas e formação de tornados devido ao choque térmico radical.

As rajadas de vento podem superar facilmente a marca dos 100 km/h, tamanho capaz de arrancar telhados de galpões, tombar estruturas de silos e destruir pivôs de irrigação. Há também alerta máximo para a queda de pedras de granizo de tamanho gigante (maiores do que ovos de galinha), capazes de ferir gravemente o rebanho e dizimar as lavouras de inverno.

Frio histórico: chance de neve nas serras

A retaguarda desse sistema trará um pulso polar de intensidade brutal na virada de quinta para sexta-feira. Com a umidade ainda presente e a temperatura despencando de forma abrupta, há possibilidade real de queda de neve nos pontos mais altos da Serra Gaúcha e da Serra Catarinense.

O pecuarista dessas regiões deve recolher as categorias mais jovens (bezerros de desmama) e vacas magras para capões de mata ou galpões cobertos. O estresse térmico causado pelo vento de 100 km/h associado ao gelo pode provocar mortes por hipotermia no eito do pasto.

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Projeção de médio prazo: chuva sobe para SP e PR na 2ª quinzena

O panorama para os próximos 15 dias mostra uma mudança geográfica importante na distribuição da umidade pelo país. Na semana que vem, a chuva finalmente dá uma trégua e o tempo limpa na Região Sul, permitindo o escoamento das águas e o início das vistorias nos estragos.

A grande virada ocorrerá na segunda quinzena de julho. O corredor de umidade vai subir o mapa, concentrando chuvas volumosas sobre o estado de São Paulo e todo o estado do Paraná.

Os acumulados em apenas 5 dias podem registrar marcas expressivas entre 100 milímetros e 150 milímetros no Paraná e interior paulista. Esse excesso de água em pleno mês de julho vai saturar o solo, transformar as estradas em lama e prejudicar severamente os trabalhos de campo, travando a colheita do milho segunda safra (safrinha), do café e o corte da cana-de-açúcar.

Orientação ao produtor

  1. Prioridade para a vida no Sul: se a sua porteira está no norte gaúcho, oeste catarinense ou sul do Paraná, o comando absoluto agora é proteger vidas. Não coloque peão, trator ou caminhão no eito do pasto sob o risco iminente de ventos destruidores e granizo. Tranque as máquinas pesadas em locais protegidos e abrigue o rebanho imediatamente para mitigar perdas patrimoniais e mortes por hipotermia ou impacto.
  2. Velocidade total em São Paulo e Paraná: se a sua fazenda fica em São Paulo ou nas demais áreas centrais e nortistas do Paraná, o foco é velocidade de colheita. Use os próximos dias de sol firme para acelerar ao máximo o recolhimento do café e a colheita do milho safrinha. Limpe os terreiros e escoe a safra o quanto antes, pois o radar da segunda quinzena avisa que até 150 milímetros de água vêm para melar o chão e travar as frotas nas estradas de terra.
  3. Manejo de cocho pré-chuva: para os confinadores paulistas e paranaenses, aproveitem os dias secos imediatos para fazer a manutenção das praças de alimentação, limpar os drenos e estocar insumos volumosos e concentrados, garantindo o fornecimento da TIP sem problemas logísticos quando o bloqueio chuvoso se estabelecer na segunda quinzena.

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