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BRS Capiaçu: qual a melhor forma de fornecer o volumoso ao rebanho?

O zootecnista Edmar Peluso explica o equilíbrio entre a silagem e o capim fresco in natura, detalha os níveis de proteína bruta e ensina como balancear a fibra do talo no cocho de vacas leiteiras

BRS Capiaçu. Foto: Divulgação.
BRS Capiaçu. Foto: Divulgação.

No quadro “Giro do Boi Responde” desta segunda-feira (6), o médico veterinário Júlio Marchizeli, de Uberlândia (MG), relatou que tem ouvido falar muito sobre a BRS Capiaçu na alimentação de vacas e buscou detalhes sobre o valor nutricional, além de questionar se a recomendação técnica é fornecer o material in natura (fresco picado) ou na forma de silagem.

Edmar Peluso, da Gerente de Pasto, destacou que o BRS Capiaçu — um clone de capim-elefante de altíssima produtividade desenvolvido pela Embrapa — é uma ferramenta espetacular para substituir o plantio anual de milho ou sorgo.

Contudo, a melhor forma de fornecer o BRS Capiaçu depende diretamente do gargalo operacional da fazenda: o fornecimento in natura entrega o dobro de proteína bruta (aproximadamente 8%), mas exige mão de obra diária ininterrupta.

Já a silagem confere paz logística e estoque para o ano todo, mas sofre uma queda no valor nutricional (aproximadamente 4,5%) devido à maturidade dos talos, exigindo ajustes finos no cocho.

Confira:

Capim in natura: máxima qualidade nutricional, maior suor operacional

Se a opção do produtor for cortar o capim diariamente no eito e despejá-lo fresco no cocho, o ganho qualitativo para o rebanho leiteiro será nítido. No sistema de capineira tradicional, consegue-se colher o BRS Capiaçu mais jovem e baixo (geralmente respeitando a janela onde a planta acumula mais folhas macias e menos colmos fibrosos).

O capim verde in natura entrega uma qualidade superior, registrando em média 8% de proteína bruta e uma digestibilidade muito maior no rúmen.

O grande desafio desse modelo é a demanda operacional diária. A equipe de campo precisará de trator e ensiladeira rodando na capineira todo santo dia para abastecer os cochos, faça chuva ou faça sol, o que pode sobrecarregar a mão de obra.

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Silagem de BRS Capiaçu: conforto logístico, menor teor de energia

A ensilagem é o caminho mais inteligente para fazendas de alta escala que buscam segurança de estoque e tranquilidade na gestão de pessoas, embora cobre um preço na análise laboratorial:

Para produzir uma silagem que não apodreça e que não perca nutrientes por excesso de chorume (efluentes), o capim precisa ser cortado mais alto e maduro, alcançando o teor ideal de matéria seca.

Ao colher a planta mais velha, ela apresentará muito mais talo do que folha. O resultado é um volumoso com menor densidade energética e cujo teor de proteína bruta despenca para a casa dos 4,5%.

O benefício é o conforto operacional. O produtor entra com o maquinário, faz o eito da colheita de uma única vez, fecha o silo e garante comida no galpão para o ano inteiro, liberando os tratores e os peões para outras funções do dia a dia.

O trunfo do BRS Capiaçu sobre o milho e o sorgo

O principal trunfo dessa tecnologia da Embrapa sobre as opções tradicionais de volumoso conservado é o fator perene. Diferente do milho e do sorgo, em que o pecuarista é obrigado a gastar alto com sementes, preparo de solo, defensivos e plantio todos os anos, o BRS Capiaçu forma uma capineira permanente.

Uma vez bem implantado, manejado e adubado, ele produzirá volumes monumentais de massa verde por vários anos, diluindo o custo de implantação e poupando o caixa da safra.

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