
No “Giro do Boi Responde” desta segunda-feira (6), o pequeno produtor Sírio Souza, do município de Palmópolis, localizado no Vale do Jequitinhonha (MG), relatou que possui pouco investimento em seu sítio, mas quer ver o negócio prosperar com a recria de bezerros anelorados. Buscando alternativas viáveis de custo para o cocho nesta estiagem, ele questionou se a mistura de farelo de arroz com ureia seria uma opção suficiente para garantir um bom ganho de peso do lote.
A resposta e o direcionamento técnico foram conduzidos pelo consultor em pecuária e zootecnista Luis Kodel. O especialista emitiu um alerta direto: fornecer apenas farelo de arroz com ureia não é suficiente para a recria de bezerros e vai travar o desempenho dos animais na seca.
Kodel explicou que, embora o produtor mineiro tenha em mãos duas excelentes matérias-primas, essa receita incompleta falha em atender às exigências biológicas do rúmen de animais jovens, demandando ajustes cirúrgicos para que o investimento não vire desperdício.
Confira:
O diagnóstico do cocho: os gargalos da dieta incompleta
O zootecnista avaliou que os ingredientes isolados possuem ótimas qualidades, mas sozinhos não fecham a conta da nutrição animal no período de estiagem.
O farelo de arroz é um ingrediente energético de destaque pelo seu alto teor de lipídios (gordura). A ureia atua como uma fonte barata e eficiente de Nitrogênio Não-Proteico (NNP), cuja função é alimentar as bactérias da “pança” do boi para que elas consigam degradar as fibras do capim seco e maduro.
As deficiências críticas:
Ao misturar apenas esses dois insumos, faltam componentes obrigatórios na dieta de recria:
- Proteína verdadeira: a ureia libera nitrogênio de forma muito rápida no rúmen. Animais em crescimento necessitam de fontes de proteína verdadeira com degradação ruminal mais lenta (como farelo de soja, farelo de algodão ou DDG) para formar tecido muscular e carcaça.
- Suplementação mineral: o capim de seca e o solo não entregam os macrominerais (cálcio e fósforo) e micronutrientes indispensáveis para o metabolismo. Sem eles, o crescimento estrutural dos bezerros anelorados estagna.
O alerta do estoque: o perigo da rancificação do arroz
Luis Kodel trouxe uma recomendação de cabeceira sobre o manejo do farelo de arroz dentro do galpão de insumos, um ponto crítico que pode fazer o gado rejeitar o trato.
Por ser um subproduto com elevado teor de extrato etéreo (óleos e gorduras), o farelo de arroz apresenta baixa estabilidade quando exposto ao calor e à umidade. Se ficar estocado por longos períodos na fazenda, ele rancifica com extrema facilidade (o óleo oxida e o produto “azeda”). Isso altera o cheiro e o sabor do suplemento, fazendo com que os bezerros recusem o cocho. A regra de ouro para o sítio do Sírio é comprar lotes menores e fazer um giro rápido de estoque.
A solução prática: como balancear a mistura corretamente
Para transformar esses ingredientes em um proteinado de alta performance sem estourar o orçamento do pequeno produtor, o zootecnista ensina o passo a passo para fechar a fórmula:
- Passo 1 (adicione o núcleo): é necessário incluir um núcleo mineral ou macro-mix específico para misturas de seca de uma empresa de nutrição de confiança. Esse núcleo trará os minerais essenciais e aditivos melhoradores de desempenho (como a monensina) para regular o rúmen.
- Passo 2 (adicione a proteína fiel): inclua uma fração de farelo de soja ou DDG de milho. Isso criará o equilíbrio perfeito entre a energia do arroz, o nitrogênio da ureia e os aminoácidos da proteína verdadeira, garantindo o arranque de peso na recria.
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