SÉRIE 'NO PASTO É MAIS BARATO'

'Antes de você intensificar com a adubação, é importante que você intensifique com o manejo', alerta especialista

Janaína Martuscello explica a matemática do nitrogênio para aumentar a taxa de lotação por hectare e advertem sobre o erro de investir em fertilizantes sem critério

Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

No quinto episódio da série “No Pasto é Mais Barato”, o debate foi centralizado em um dos temas mais estratégicos para a lucratividade da pecuária de corte: a reposição de nutrientes no solo. A série é baseada na obra dos renomados professores e zootecnistas Janaína Martuscello e Manoel Santos.

Martuscello trouxe um banho de realidade para os produtores que desejam investir na compra de fertilizantes: antes de gastar com adubação pesada, o pecuarista precisa intensificar o manejo da altura do capim. De nada adianta investir em tecnologia química para explodir a produção de biomassa se a peonada na fazenda não souber colher a folha no momento certo.

O ajuste do manejo por altura é uma tecnologia de investimento zero que deve preceder o aporte de insumos. Uma vez dominada a lida do pastejo, a adubação entra em cena como o motor definitivo para recuperar áreas degradadas, elevar as Unidades Animais por hectare (UA/ha) e garantir o vigor das pastagens.

Confira:

O solo não é infinito e o mito da reciclagem de nutrientes

O Brasil ostenta milhões de hectares de pastagens em processo de degradação devido a três fatores: má formação, manejo de altura errado e falta de reposição mineral. O gado retira o fósforo, o potássio e o nitrogênio através do capim e exporta esses elementos na carcaça rumo ao frigorífico. Sem a restituição desses componentes, o solo entra em exaustão e o pasto definha.

Muitos produtores que operam com lotações baixas (menos de 1 UA/ha) acreditam erroneamente que as fezes e a urina do rebanho bastam para fertilizar a invernada. A ciência prova que isso é um equívoco: se um nutriente está escasso no solo, a planta não o absorve; se a planta não o tem, o gado não o consome e, portanto, não o excreta. O ciclo se rompe, tornando a intervenção externa obrigatória.

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A equação da intensificação: a regra dos 50 kg de Nitrogênio

Para as fazendas que já alinharam o manejo de altura e buscam o salto para a pecuária de alta performance, a pesquisa agropecuária estabeleceu uma métrica matemática cirúrgica para planejar a adubação de intensificação:

Para cada 1 UA/ha de aumento na lotação = adicione 50 kg de Nitrogênio (N) por hectare

Exemplo prático de campo

Se uma propriedade opera em nível básico e desenha a meta de carregar $4\text{ UA/ha}$ em um sistema rotacionado ou de Terminação Intensiva a Pasto (TIP), a conta do orçamento de insumos deve prever:

4 UA/ha x 50 kg de N = 200 kg de Nitrogênio por hectare alocado

Mesmo para produtores que não buscam a superintensificação, existe um gatilho mínimo para travar a degradação: se os níveis de calcário e fósforo estiverem adequados na análise, deve-se aplicar pelo menos 50 kg de nitrogênio por hectare ao ano como adubação de manutenção para garantir a sobrevivência da planta forrageira.

A lei do mínimo e o perigo do prejuízo com ureia

Entupir o pasto de ureia (fonte de nitrogênio) sem critérios técnicos é um erro grave que drena o caixa da empresa rural. O eito agronômico é rigidamente governado pela Lei do Mínimo (Lei de Liebig), a qual estabelece que o crescimento de uma cultura é limitado pelo nutriente que está em menor quantidade no solo, independentemente da abundância dos demais.

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