
Um dos gargalos mais silenciosos, caros e invisíveis da pecuária de corte é o impacto da dor e das inflamações no desempenho do rebanho.
Em entrevista ao Giro do Boi, o médico veterinário Mateus Souza, coordenador técnico da Boehringer Ingelheim, emitiu um alerta de gestão: na pecuária moderna, a dor e a inflamação não são apenas questões humanitárias, mas uma sangria desatada no caixa da fazenda.
Embora nem sempre sejam visíveis, esses processos reduzem drasticamente o Ganho Médio Diário (GMD), pois o animal sentido come menos, bebe menos água e caminha menos até o cocho. Em vez de direcionar a energia e os nutrientes do capim ou da ração para ganhar peso e produzir carne, o organismo do bovino desvia todos esses recursos para combater o processo inflamatório e tentar restabelecer o seu equilíbrio, gerando prejuízo direto na balança.
Confira a entrevista completa:
O impacto interno: a morte do rúmen e a queda do GMD
O prejuízo que começa no comportamento se reflete de forma devastadora dentro da “pança” do animal. O motor do boi depende dos bilhões de bactérias e protozoários benéficos que vivem no rúmen.
Quando o animal entra em estresse por dor, a ingestão de matéria seca desaba. Sem a entrada regular de fibra e alimento, as bactérias boas do rúmen começam a morrer em massa.
Com a microbiota destruída, o boi perde a capacidade de produzir os Ácidos Graxos Voláteis (AGVs), que são a real fonte de energia que o animal precisa para engordar. O ciclo vira uma bola de neve: o boi sente dor, come menos, o rúmen para e ele perde peso, esticando os dias de permanência no confinamento ou na TIP (Terminação Intensiva a Pasto) e explodindo o custo da diária operacional.
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A proposta tecnológica: a eficiência do Meloxicam em dose única
Para resolver o problema de forma cirúrgica e curativa — já que dor e inflamação não se previnem, tratam-se —, a Boehringer Ingelheim destaca o uso do Metacam, a primeira molécula de Meloxicam lançada no mercado veterinário mundial:
O Meloxicam combate a inflamação e desliga os receptores de dor com alta segurança, sem gerar os severos efeitos colaterais (como úlceras gástricas) causados por moléculas antigas.
Na lida do gado de corte, fechar o boi no curral todo dia para tomar injeções repetidas gera um estresse absurdo que eleva o cortisol e derruba a imunidade. O medicamento atua em dose única. O peão aparte o animal na ronda sanitária, faz uma única aplicação no tronco de contenção e o devolve para o lote. Menos manejo significa menos estresse e recuperação imediata do consumo de cocho
Escalas de dor: como identificar o problema no pasto
Por sua natureza evolutiva de animal presa, o bovino faz de tudo para esconder a sua fraqueza para não virar alvo de predadores. Por isso, a equipe de peões precisa ser treinada para identificar os sinais clínicos visuais de dor catalogados pela Unesp. São eles:
- Cabeça baixa e orelha murcha: o animal permanece isolado no canto do piquete, sem pastejar ou beber água, com as orelhas caídas.
- Auto-lambedura excessiva: o gado lambe insistentemente o local de um procedimento, indicando que a analgesia pós-cirúrgica (de uma castração ou descorna) falhou.
- Posturas anormais: permanecer deitado em posições muito esticadas ou totalmente contraídas.
- Pressão de cabeça: pressionar a testa com força contra cercas, palanques ou paredes é um sinal clássico de distúrbios neurológicos, gástricos ou dor intensa.
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