
A previsão do tempo desta sexta-feira (3) traz o fechamento da safra de alertas climáticos da semana. O monitoramento das imagens de satélite mostra que a frente fria atinge o seu ápice de severidade hoje, provocando o represamento de temporais severos sobre os estados do Sul.
Em contrapartida, o ecossistema produtivo do Brasil Central continua sob o domínio de um potente bloqueio seco, desenhando o cenário ideal para acelerar os trabalhos de campo sem interrupções.
Confira a previsão do tempo completa com o meteorologista Arthur Müller:
Alerta máximo no Sul: risco de granizo e transbordamento de rios
A sexta-feira amanheceu sob forte instabilidade na Região Sul do país. O produtor deve manter o estado de alerta ligado para proteger o patrimônio e a boiada.
A frente fria continua atuando de forma severa sobre o norte e noroeste do Rio Grande do Sul, além de Santa Catarina e do Paraná. Nas próximas horas, ainda há alto risco para queda de granizo e rajadas de vento intensas.
Devido ao acumulado de chuva extremamente volumoso, o alerta principal vai para o risco real de transbordamento de rios e córregos, especialmente no norte e noroeste gaúcho. O pecuarista deve retirar imediatamente os lotes de gado das áreas de várzea e ribeirinhas. A trégua definitiva da chuva no Sul só vai acontecer a partir de amanhã, sábado (4), permitindo que a água escoe.
Chance de neve e termômetros zerados
O choque da umidade com a retaguarda da forte massa de ar polar cria condições para fenômenos típicos de inverno rigoroso nas altitudes. No decorrer da noite de hoje e durante a madrugada de sábado, mantém-se a chance de queda de neve nas áreas de maior altitude da Serra Gaúcha e da Serra Catarinense.
O amanhecer deste sábado será congelante, com os termômetros zerando nas áreas de baixada do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Apesar do frio, a presença de uma espessa camada de nebulosidade vai atuar como um cobertor na atmosfera, dificultando a formação de geada generalizada. O risco de queima de pastagens fica restrito apenas aos pontos mais baixos e limpos do relevo. No início da semana que vem, essa massa polar perde força e o frio diminui.
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Brasil Central: sol firme e tempo quente no cocho
Enquanto o Sul enfrenta o gelo e os temporais, as propriedades do Sudeste, Centro-Oeste e da fronteira do Matopiba seguem operando em outra realidade.
O tempo quente e seco continua dominando o Brasil Central. É a condição perfeita para acelerar o eito das colhedoras de milho safrinha, algodão e cana-de-açúcar, além de manter o café secando no terreiro sem risco de umidade.
O ar frio da retaguarda tenta subir para o Sudeste a partir do final de semana, causando um declínio suave nas temperaturas noturnas, mas totalmente livre de riscos de geada para as lavouras e cafezais.
Os modelos de previsão estendida indicam que esse bloqueio seco do Brasil Central só sofrerá uma virada com o retorno das chuvas a partir da segunda quinzena de julho. Até lá, o ritmo de campo é total. No norte do país, a umidade se concentra de vez sobre o estado de Roraima devido à ZCIT.
Orientação ao produtor
- Monitore a água e mova o gado no Sul: se a sua fazenda está localizada no norte gaúcho, em Santa Catarina ou no Paraná, o comando do dia é monitorar as linhas de água. Não bobeie com lotes de recria em invernadas ribeirinhas ou fundos de vale, pois o risco de repiquete de rios é alto até amanhã. Suba os animais para piquetes de cabeceira altos e seguros.
- Manejo de poeira no Brasil Central: se a sua porteira fica em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás ou no Sudeste, aproveite o bloqueio seco para adiantar o máximo possível das colheitas de inverno. Nos confinamentos e TIP, capriche na ronda sanitária ativa para evitar surtos de doenças respiratórias devido à poeira alta e limpe as calhas de água com maior frequência.
- Aproveite os terreiros de café: no cinturão cafeeiro de SP e MG, o clima do final de semana será excelente para a secagem dos grãos colhidos. Coloque a equipe para rodar o café com constância aproveitando as tardes ensolaradas, sabendo que as temperaturas da madrugada caem de leve apenas para dar conforto térmico à boiada.
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