
O engenheiro agrônomo Wagner Pires, parceiro do Giro do Boi, foi até a Fazenda Igarapé, localizada no município de Igarapé Grande (MA), propriedade que se destaca pelo manejo de excelência e por ser um importante polo de genética e seleção da raça Nelore.
Pires apresentou o Capim-Igapó, o primeiro material do gênero Panicum selecionado e desenvolvido especificamente para produzir gado gordo em áreas encharcadas, superando o paradigma de que terras de brejo só servem para pastos de mantença.
Confira:
O que é o capim-igapó?
Historicamente, os capins do gênero Panicum — como o Mombaça, o Zuri e o Paredão — são os favoritos da pecuária intensiva pelo altíssimo potencial de produção de arrobas, mas possuem tolerância zero ao encharcamento de raiz: se o solo reter água por poucos dias, eles amarelam e morrem. O Capim-Igapó quebra essa limitação biológica.
Desenvolvido e selecionado dentro da água, o cultivar possui uma adaptação morfológica que permite ao sistema radicular respirar e absorver nutrientes mesmo em solos saturados. Ele entrega a mesma estrutura folhosa, perfilhamento e volume de massa verde de um Mombaça ou Zuri, mas no eito de baixada onde antes as sementes tradicionais não prosperavam.
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Teto nutricional: até 16% de proteína bruta na várzea
A grande virada do Capim-Igapó sobre as opções tradicionais de áreas úmidas (como a Brachiaria humidicola e os capins de muda) está na qualidade do trato que chega à boca do rebanho:
Quando manejado corretamente respeitando as alturas de pastejo, o Igapó atinge um teor de proteína bruta impressionante, flutuando entre 12% e 16%. Esse valor nutritivo é equivalente ao das melhores pastagens de terra firme. Com isso, o produtor eleva o Ganho Médio Diário (GMD) e consegue fazer terminação e acabamento de carcaça de lotes comerciais em áreas que antes eram ociosas ou subaproveitadas.
A janela de plantio rígida: germinação primeiro, água depois
Apesar de ser altamente resistente a lâminas de inundação temporária, a implantação da semente no eito exige critério técnico rigoroso para o sucesso do estande. A semeadura deve ser feita obrigatoriamente logo no início do período das chuvas, quando a baixada ainda está seca ou apenas úmida, permitindo a entrada do maquinário.
A semente precisa de terra firme para germinar, emergir e estabelecer suas primeiras raízes.
O trunfo estratégico na época da seca
Investir no Capim-Igapó funciona como uma poupança forrageira estratégica para os meses de estiagem profunda na fazenda.
Enquanto as invernadas altas de terra firme são as primeiras a sentir a seca e parar de produzir, as baixadas retêm umidade no perfil por muito mais tempo. Ter um Panicum de alta qualidade explodindo em massa verde no varjão em pleno período seco permite ao pecuarista segurar a lotação do rebanho, manter o gado ganhando peso e economizar de forma brutal com a compra de volumosos artificiais e tratos caros de balcão.
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