
A previsão do tempo desta terça-feira (1º) traz alertas severos que exigem atenção máxima na gestão de risco da sua propriedade. A consolidação do inverno sob o impacto direto do fenômeno El Niño forte está desenhando dois cenários climáticos extremos para os produtores gerenciarem a porteira para dentro.
O monitoramento das imagens de satélite confirma que a atuação agressiva de uma nova frente fria trancará o eito das atividades na Região Sul com tempestades e volumes expressivos. Em contrapartida, uma grande massa de ar seco garante o avanço das colheitadeiras no Brasil Central, antecipando uma virada de umidade estratégica para as praças de pecuária intensiva em meados do mês.
Confira a previsão do tempo completa com o meteorologista Arthur Müller:
Alerta máximo no Sul: granizo e tempestades travam o eito
A Região Sul do país enfrenta o período mais crítico da semana devido à atuação agressiva do sistema frontal. O produtor deve ligar o sinal de alerta para eventos severos. Os temporais estão concentrados sobre o oeste do Paraná, norte do Rio Grande do Sul e o oeste de Santa Catarina.
No decorrer desta quarta e também da quinta-feira (2), há alto risco de queda de granizo e rajadas de vento intensas. Esse combo pode prejudicar severamente os trabalhos em campo e ameaçar as áreas recém-semeadas com as culturas de inverno (como o trigo e a aveia).
O tombo de água será volumoso. Nas áreas destacadas em verde no radar, os acumulados vão passar facilmente dos 100 milímetros. A boa notícia é que o sistema começa a perder força e a chuva dá trégua a partir de sexta-feira, permitindo que a água escoe.
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Curto prazo (06 a 10 de julho): estabilidade no Brasil Central
Para os produtores que estão no meio da colheita do milho safrinha, da cana-de-açúcar e do café no Sudeste, Centro-Oeste e na fronteira do Matopiba, a primeira década do mês será de marcha batida.
Entre os dias 6 e 10 de julho, não há indicativo de grandes mudanças. O interior do Nordeste e o Brasil Central seguem sob o bloqueio de inverno: tempo severamente quente e seco, ideal para colocar as colheitadeiras para rodar na velocidade máxima, sem risco de umidade depreciativa nos grãos ou na fibra.
As únicas chuvas volumosas e contínuas do topo do mapa ficam restritas a Roraima e ao Amapá devido à intensidade da ZCIT.
Médio prazo (11 a 15 de julho): a chuva sobe para o Centro-Oeste
Os modelos meteorológicos de longo prazo confirmam que o bloqueio seco do Brasil Central tem data para ser rompido na segunda semana do mês. Uma nova frente fria conseguirá subir o continente de forma expressiva.
Entre os dias 11 e 15 de julho, o corredor de umidade avança e descarrega pancadas de chuva sobre Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás. Espera-se um acumulado de pelo menos 30 a 40 milímetros de chuva em uma janela de 5 dias.
Embora essa água possa causar pequenas interrupções momentâneas na colheita do milho safrinha, o volume será fantástico para a pecuária intensiva. Esses 40 milímetros vão ajudar a repor a umidade do solo, assentar a poeira das baias e aliviar o estresse térmico do gado em confinamento e na TIP, melhorando o bem-estar animal e o consumo de trato no cocho.
Orientação ao produtor
- Proteção contra o granizo no Sul: se a sua porteira está no Paraná ou em Santa Catarina, o eito exige cautela total até sexta-feira. Proteja o maquinário nos galpões e evite forçar o plantio ou a colheita sob o risco de granizo e atoleiros na lama com esses mais de 100 milímetros acumulados. Mantenha os animais de recria fora de invernadas de baixada propensas a encharcamento rápido.
- Marcha batida no Brasil Central: se a sua fazenda fica em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul ou Goiás, aproveite os próximos 10 dias de tempo limpo para colher o milho safrinha e o café a pleno vapor. Limpe os terreiros e acelere as entregas logísticas com poeira baixa.
- Preparação da TIP para as chuvas de julho: Já organize a estrutura do confinamento e da TIP sabendo que, a partir do dia 11 de julho, uma chuvinha de até 40 milímetros vem para limpar o ar. Raspe os fundos dos cochos antes da chegada da umidade para que o trato antigo não fermente com a água e garanta que a boiada engorde com o máximo de ganho médio diário (GMD).
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