
A gestão do processo tem impacto maior sobre os resultados do confinamento do que a formulação da dieta isoladamente. A avaliação é do engenheiro agrônomo e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Flávio Portela, durante entrevista ao programa Giro do Boi desta terça-feira (30).
Segundo o pesquisador, formular uma dieta adequada é um requisito básico, mas o desempenho dos animais depende da execução correta de todas as etapas do manejo alimentar. “Ter bons ingredientes, formular uma boa dieta é fundamental, mas a gestão do processo eu diria que ela é mais decisiva do que a dieta em si”.
Portela explicou que a eficiência do confinamento está ligada à qualidade da mistura da ração, à distribuição correta dos alimentos no cocho, à leitura de cocho, ao treinamento da equipe e ao acompanhamento diário do sistema.
“Garantir que aquela dieta que foi formulada seja colocada no vagão misturador, seja bem misturada, que ela seja distribuída de forma correta no cocho, leitura de cocho, formação de equipe, treinamento, toda a gestão do processo”.
Confira:
Inteligência artificial amplia ferramentas de gestão
O professor afirmou que softwares, sensores e ferramentas de inteligência artificial tendem a ganhar espaço na pecuária de corte, principalmente nos sistemas de confinamento, recria e cria.
Segundo ele, essas tecnologias auxiliam na tomada de decisão, mas devem atuar em conjunto com o manejo e a gestão da propriedade. “As ferramentas de inteligência artificial estão chegando e vão estar cada vez mais presentes no confinamento, na recria, na cria. Isso aí é inevitável”.
Para Portela, o desempenho produtivo depende da integração entre ingredientes de qualidade, formulação nutricional e controle das operações diárias. “Se todo o processo é bem gerido, é bem conduzido, o confinamento tem boa chance de ter sucesso. Não se prenda simplesmente à questão da formulação.”
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Dietas evoluem com novos ingredientes
Durante a entrevista, o pesquisador também destacou a evolução da nutrição bovina nos sistemas intensivos de produção. Segundo ele, a busca por maior eficiência aumentou o uso de técnicas de processamento de grãos e de coprodutos da indústria do etanol de milho, como DDG e WDG.
Portela explicou que esses ingredientes apresentam maior concentração de proteína e energia em relação ao milho e passam a elevar o desempenho dos animais quando utilizados em níveis mais elevados na dieta, desde que a relação de preços seja favorável.
Mercado exige adaptação
O professor também comentou as exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção de bovinos. Segundo ele, o Brasil precisará avançar nos sistemas de rastreabilidade para atender mercados que adotam regras específicas. “Nós vamos ter que evoluir no sistema de rastreabilidade para quem vai colocar animal nesse mercado.”
Na avaliação do pesquisador, adaptar os sistemas produtivos às exigências dos compradores faz parte da estratégia comercial da cadeia da carne bovina.
Confinamentos caminham para animais mais pesados
Portela também observou que o aumento do preço dos animais de reposição e os programas de bonificação vêm estimulando confinamentos mais longos e abates com carcaças mais pesadas. Segundo ele, essa tendência deve continuar nos próximos anos, acompanhando a evolução tecnológica da pecuária brasileira.
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