
O pecuarista Reginaldo Dias, que possui propriedades em Tangará da Serra (MT) e Rincão, no interior de São Paulo, relatou que tem enfrentado sérios problemas com o distúrbio comportamental da sodomia bovina entre os seus animais criados em regime de Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e confinamento.
Ao quadro “Giro do Boi Responde”, o médico veterinário Guilherme Vieira lembrou que a sodomia é um desvio de comportamento social e sexual comum em machos inteiros — onde um gado monta e cavalga insistentemente sobre o outro —, gerando machucaduras, estresse generalizado e perda do foco na engorda. O veterinário detalhou o protocolo de ação imediata e preventivo para o pecuarista neutralizar o distúrbio e zerar os prejuízos na fazenda.
Confira:
Os impactos econômicos da sodomia
Deixar a sodomia correr solta no piquete de TIP ou nas baias do confinamento é queimar dinheiro, pois o estresse gerado afeta o desempenho global da boiada:
- O boi “garimpeiro”: os bois dominadores assumem a liderança de forma violenta e viram os chamados “bois garimpeiros”. Eles ficam plantados na beira da linha de cocho, consomem ração em excesso e agridem os demais, impedindo o acesso democrático ao trato.
- Perda de peso e refugagem: os animais sodomizados (subjugados) ficam severamente acuados, entram em estresse crônico e param de ir ao cocho. Eles perdem peso rapidamente e quebram a padronização do lote. O pânico contamina o piquete inteiro; os demais animais, com medo das perseguições, reduzem o consumo de matéria seca.
- Risco real de morte: em casos extremos em que ocorre a consumação da cópula, a rês dominada sofre graves lesões físicas e pode ter a perfuração do reto, evoluindo para óbito por hemorragia interna crônica no meio do pasto.
O que dispara o gatilho da sodomia?
O problema tem origem em uma somatória de fatores estressores ambientais e de manejo que rompem a hierarquia social pacífica do rebanho:
- Gargalo de cocho: linha de cocho inadequada ou insuficiente para o lote. Tanto no confinamento quanto na TIP, a recomendação rígida é disponibilizar de 50 a 70 centímetros lineares de cocho por animal para eliminar a disputa por comida.
- Desuniformidade do lote: misturar no mesmo eito animais jovens (garrotes) com bois erados e mais velhos, ou lotes com grande discrepância de peso e misturas de origens desconhecidas.
- Estresse ambiental: altas taxas de lotação no piquete, temperaturas de clima muito elevadas e mudanças bruscas ou atrasos na rotina de fornecimento do trato.
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O protocolo de ação imediata: como controlar o problema?
Se o Reginaldo já está com o distúrbio instalado em suas invernadas de Mato Grosso ou São Paulo, as ações de curto prazo devem ser executadas sem demora:
- Apartação rápida: o capataz deve identificar e retirar imediatamente do lote tanto os animais sodomizados (dominados) quanto os dominadores (agressores). Pesquisas indicam que, ao remover essas duas pontas do eito, o restante da boiada se acalma e volta a ganhar peso de forma tranquila.
- Manejo dos subjugados e agressores: coloque os animais dominados em um piquete separado e calmo, com gado mais leve, para que recuperem o escore corporal. Para os bois agressores, a recomendação é realizar a castração química e mantê-los em observação até que os níveis hormonais baixem antes de retornar ao eito.
- Uso de homeopatia populacional: uma ferramenta moderna e eficiente é o uso de produtos homeopáticos que atuam reduzindo o estresse e a libido de machos inteiros. Eles devem ser misturados diretamente no sal mineral ou na ração de TIP.
A solução definitiva: pré-confinamento de 21 dias
O manejo preventivo ideal para o produtor adotar nas próximas safras é instituir um período de pré-confinamento (ou sequestro) alongado por 21 dias.
Durante essas três semanas de adaptação, o estoque social e a hierarquia do lote são definidos. O vaqueiro consegue observar com calma a lida dos animais na linha de cocho, identificar precocemente os indivíduos dominantes e os subjugados, e fazer a apartação dos lotes por peso e origem antes que entrem no piquete definitivo de TIP ou no cocho de engorda, garantindo o ganho de peso uniforme na frente.
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