ORGULHO DE SER PECUARISTA

Como um vendedor de salgados se tornou um dos maiores pecuaristas do Brasil?

Com muito trabalho, o goiano José Francisco Sena iniciou comanda um conglomerado de fazendas de alta performance que entrega ao mercado carne de altíssima qualidade

Foto: Divulgação.
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O Giro do Boi desta sexta-feira (5) trouxe um depoimento emocionante direto de Mozarlândia (GO) para contar a história do produtor, pecuarista e advogado José Francisco Sena e de seu irmão, o médico Dr. Pedro Sena.

Donos de um formidável conglomerado de fazendas de gado de corte, os irmãos transformaram uma operação que começou do absoluto zero em uma das maiores referências do Brasil em produção de carne de altíssima qualidade, com animais abatidos extremamente jovens e pesados.

A pergunta que estampa a manchete do programa encontra resposta em uma poderosa engenharia de determinação familiar, criatividade financeira e adoção precoce de tecnologias de ponta no campo.

A dupla, que começou a vida vendendo frutas e salgados de porta em porta na adolescência, utilizou a veia empreendedora do comércio urbano para financiar seus estudos e, posteriormente, estruturar a Fazenda Jaçanã, em Bonópolis (GO), aplicando conceitos revolucionários de manejo para desmamar bezerros Nelore com mais de 300 kg e alcançar rendimentos de carcaça espetaculares na indústria.

O segredo tecnológico: nutrição fetal e desmama de 300 kg

Hoje, a Fazenda Jaçanã colhe os frutos de uma pecuária de precisão cirúrgica, entregando ao JBS lotes de machos e fêmeas precoces com apenas 18 a 20 meses de idade, pesando perto de 600 kg de média a campo e alcançando um impressionante rendimento de carcaça entre 57% e 58%. O segredo para atingir esses números no Brasil Central começa muito antes do nascimento do bezerro:

  • Nutrição Fetal: as matrizes passam o período de gestação caminhando nas áreas ricas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). A correta nutrição da mãe no terço médio e final da gestação programa o tecido muscular do bezerro ainda na barriga.
  • Suplementação de parida na seca: quando as vacas parem em pleno mês de agosto (auge da estiagem), elas recebem feno de alta qualidade produzido na própria fazenda com custo baixo, silagem de capim e um bom proteinado de seca. Esse aporte quebra o anestro pós-parto, mantém a produção de leite firme e garante que a vaca reemprenhe cedo (setembro/outubro).
  • Arrancada nas chuvas: ao entrar o período das águas, os “bezerros do cedo” já estão grandes e vigorosos, aproveitando o filé-mignon do pasto rotacionado e recebendo sal proteinado no cocho até atingirem a impressionante desmama de 300 kg.

O divisor de águas: o fim do “boi sanfona” com a ILP

Foto: Divulgação.
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Embora já confinassem pequenos lotes na chácara do pai, o divisor de águas técnico na trajetória dos irmãos Sena ocorreu há 29 anos, após José Francisco assistir a uma palestra do renomado Professor Moacir Corsi (USP/Esalq).

Corsi utilizou uma metáfora que mudou a visão dos produtores: na agropecuária, ou você está em cima do rolo compressor, ou está embaixo dele, disparando o veredito de que o pecuarista que não fizesse Integração Lavoura-Pecuária (ILP) seria engolido pelo mercado.

A partir daquele dia, a Fazenda Jaçanã baniu o prejuízo invisível do “boi sanfona” — aquele gado que ganha peso nas águas e perde tudo na seca. Os irmãos implementaram a reforma de pastagens via sistema milho-forragem, passaram a produzir silagem de capim e sorgo e introduziram o uso de sêmen de central no rebanho.

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A sacada do Serasa: da advocacia ao investimento em terras

Antes de consolidar o império da carne, José Francisco Sena encontrou na advocacia o capital necessário para expandir seus horizontes no Brasil. Com os lucros obtidos na juventude, pagou a faculdade de medicina do irmão e cursou Direito. Ao assumir a carteira de cobranças de uma grande empresa de consórcio, criou uma estratégia de cobrança inédita no país:

Percebendo que os devedores e fiadores muitas vezes ignoravam a negativação de seus próprios nomes, José Francisco passou a negativar primeiro o CPF das esposas dos inadimplentes. Ao tentarem fazer compras no comércio e encontrarem o crédito bloqueado, as mulheres cobravam os maridos energicamente.

O índice de recebimento explodiu. Seguindo os conselhos do pai, José Francisco nunca deixava dinheiro parado em conta corrente: convertia os lucros em arrobas e comprava terras. Em outubro de 1997, adquiriu os primeiros 2.800 hectares da Fazenda Jaçanã por um valor estratégico, em uma área desvalorizada na época apenas porque o acesso dependia de uma ponte antiga de madeira que costumava alagar.

Foto: Divulgação.
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Da chácara de 4 alqueires ao “Bar dos Maninhos”

As origens dessa potência da pecuária do Brasil nasceram na zona rural de Pirenópolis (GO). Nascidos sob o eito do trabalho estritamente familiar, os irmãos colhiam limão, banana e jabuticaba na pequena chácara do pai para vender de porta em porta nas ruas de Anápolis (GO).

Quando José Francisco tinha 16 anos, seu irmão, que trabalhava como salgadeiro, soube que o patrão queria vender a lanchonete. Para dar asas ao futuro dos filhos, o pai tomou uma decisão drástica: vendeu todo o seu rebanho de cria (75 vacas) para comprar o comércio.

Nascia o Bar dos Maninhos, que se tornou um sucesso estrondoso na cidade. Os irmãos inovaram na culinária ao produzir um pastelão com massa cozida no leite e caldo de galinha. Em apenas quatro meses, o movimento foi tão expressivo que eles conseguiram recomprar todo o gado do pai e expandir o negócio, pavimentando o caminho para a compra das fazendas de alta performance que gerenciam hoje.

A história de José Francisco e do Dr. Pedro Sena prova que a pecuária forte não aceita desculpas. Como dizia o pai dos produtores, a vaca é um animal abençoado que cresce e pare, mas cabe ao homem ser o gestor desse milagre a céu aberto. Adotar a ILP, tratar a matriz na seca para colher um bezerro de 300 kg e encurtar o ciclo de abate para os 18 meses é o que separa o extrativismo do lucro real. Não desista dos seus planos e faça o simples bem-feito!

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