'NO PASTO É MAIS BARATO'

Janaína Martuscello: 'Sem manejo de pastagem, nós jamais podemos falar sobre intensificação'

Diante de projeções de que metade dos produtores deixará a atividade até 2040, o manejo correto do capim surge como o pilar obrigatório para a sobrevivência do negócio

Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Nesta sexta-feira (5), o Giro do Boi deu início a uma nova série especial: “No Pasto é Mais Barato”. Baseada no livro escrito pela zootecnista e professora da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ-MG), Janaína Martuscello, em parceria com o professor Manoel Rozalino Santos, a série será exibida em oito episódios todas as sextas-feiras e traz um guia prático para otimizar a produção de carne e leite.

Em consonância com o título, o pontapé inicial da série destacou que o capim colhido diretamente pelo ruminante a céu aberto é a forma mais barata de produzir. Contudo, a professora foi enfática ao alertar que sem um manejo de pastagem eficiente e rigoroso, baseado no controle de altura e na eliminação de gargalos, é impossível falar sobre intensificação.

Diante de um cenário em que a tecnologia e a gestão tornaram-se passaportes obrigatórios para a sobrevivência do negócio, a intensificação racional surge como a única via para o pecuarista se manter competitivo no mercado.

O alerta de 2040: o boi não some, ele muda de dono

A série trouxe dados estatísticos alarmantes que servem como um chamado urgente para a modernização das propriedades rurais, evidenciando o risco do extrativismo:

  • A estatística de exclusão: projeções de mercado indicam que, até o ano de 2040, metade dos pecuaristas atuais terá deixado a atividade por falta de eficiência.
  • O destino da terra: quem não se adequar à produtividade vertical será forçado a ceder suas áreas para a expansão da lavoura de grãos ou vender a propriedade.
  • A realidade do mercado: o boi e a carne não vão sumir do Brasil; a terra simplesmente trocará de mãos, passando a pertencer a quem for mais eficiente e focado em gestão.

Desmistificando o conceito: o que é intensificar?

Um dos grandes trunfos defendidos por Janaína Martuscello é desarmar o preconceito cultural de que intensificar exige investimentos cinematográficos ou taxas de lotação astronômicas da noite para o dia.

Intensificar não significa, obrigatoriamente, ter uma alta taxa de lotação. Se uma fazenda opera hoje com uma taxa média de 1,0 UA/ha (Unidade Animal por hectare) e, por meio de planejamento, consegue saltar com segurança para 1,2 UA/ha, essa propriedade já iniciou seu processo de intensificação.

De nada adianta ostentar uma lotação de 5 ou 7 UA/ha se o capim faltar e o gado não imprimir um bom Ganho de Peso Médio Diário (GMD). Lotação alta com boi passando fome ou pastagem degradando é prejuízo mascarado. A meta é identificar o fator mais limitante da fazenda e subir os degraus de forma economicamente viável.

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As três causas da ruína e degradação do pasto

Para corrigir o rumo da atividade, o produtor precisa reconhecer os três principais erros cronológicos que destroem o potencial forrageiro no Brasil:

  1. Má formação inicial: escolha de sementes de baixa qualidade, plantio malfeito ou falta de preparo adequado do solo.
  2. Mau manejo de altura: prática do superpastejo, com o gado “rapando” o resíduo do capim e ferindo gravemente a rebrota.
  3. Não reposição de nutrientes: prática do extrativismo puro, onde o pecuarista retira arrobas da terra ano após ano, mas nunca devolve adubo e fertilidade ao solo.

A trilogia da produtividade a pasto

O novo lançamento coroa um trabalho sequencial de educação técnica voltado para o homem do campo, estruturado em três manuais estratégicos:

  • “Seu Dinheiro é Capim”: focado nos aspectos filosóficos e econômicos, mostrando que cada folha economizada e cada manejo correto constroem o lucro.
  • “Seu Pasto é Lavoura”: um manual passo a passo dedicado à correta formação das pastagens, desde a análise do solo até o primeiro pastejo.
  • “No Pasto é Mais Barato”: livro atual focado puramente nas ferramentas de intensificação planejada para extrair a arroba mais barata possível, reduzindo custos operacionais com trato mecânico ou silagem excessiva no cocho.

A obra de Janaína Martuscello chega como um verdadeiro guia de sobrevivência. Intensificar é olhar para dentro da propriedade hoje, descobrir se o gargalo é a falta de adubo, o erro na altura do capim ou a falta de proteinado na seca, e corrigir o rumo com sabedoria.

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