
O mês de maio será marcado por um bloqueio atmosférico que trará um “calor de verão” atípico para o Brasil Central e o corte definitivo das precipitações no Centro-Norte.
Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, enquanto o Sul enfrenta o frio polar, estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins mergulham em um veranico prolongado, com temperaturas máximas atingindo frequentemente os 34°C a 35°C.
Esse cenário exige atenção redobrada com o planejamento nutricional, já que a umidade só deve retornar de forma consistente a certas regiões no final de outubro.
Confira:
O corte das chuvas e o estresse hídrico no Centro-Norte
A transição para a estação seca em maio ocorre de forma abrupta neste ano, especialmente no Matopiba e no norte da região Norte.
Em cidades como Lizarda (TO), a previsão de chuva para os próximos 30 dias é praticamente zero. No sul do Pará e em Vilhena (RO), a “torneira fechou”, com acumulados máximos de apenas 20 a 30 milímetros para todo o mês.
Com o solo secando rapidamente devido às altas temperaturas, o pasto perde qualidade de forma acelerada. A orientação é que o planejamento de suplementação de seca e o uso de silagem ou feno estejam 100% implementados agora.
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A “montanha-russa” térmica e a imunidade do rebanho
Müller destacou um perigo invisível em maio: a oscilação térmica extrema, que pode comprometer a saúde dos animais, especialmente em Bataguassu (MS) e região.
Por lá, no próximo final de semana, as temperaturas podem despencar de 35°C para 10°C em poucos dias. Essa variação de 25 graus derruba a imunidade do gado, que gasta energia vital apenas para tentar manter o equilíbrio térmico.
Após o frio, o calor volta rapidamente aos 35°C, com novas quedas previstas para o dia 20 de maio. O gado confinado é o que mais sente esse “sobe e desce”, exigindo reforço nos protocolos sanitários e na hidratação.
Contraste regional: frio e geada no Sul
Enquanto o Centro-Norte arde no calor, a retaguarda de uma frente fria trará condições invernais para a Região Sul. Já no próximo final de semana, há risco de geada para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Entre os dias 11 e 15 de maio, uma massa de ar polar mais intensa deve derrubar as mínimas em todo o Centro-Sul, provocando inclusive o fenômeno da “friagem” em Rondônia.
Em maio, a gestão da fazenda deve focar na resiliência. No Vale do Araguaia (GO), o calor intenso de 35°C e o tempo seco trarão poeira alta nos currais e estradas. Não conte com “chuvas de caju” para salvar o pasto no Centro-Norte. A estratégia agora é garantir a hidratação e o suporte nutricional para que o animal não perca peso tentando se adaptar às variações térmicas bruscas.
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