
A presença de lodo, limo e microalgas nos bebedouros é um dos maiores gargalos da produtividade na pecuária.
Segundo o médico-veterinário Fernando Loureiro, especialista em qualidade de água e embaixador do Giro do Boi, esse acúmulo ocorre pela combinação de matéria orgânica (restos de ração, saliva e poeira) com o calor e a incidência solar.
Água suja faz com que o animal beba menos, o que reduz o consumo de alimento e, consequentemente, trava o ganho de peso. Para resolver o problema do José Pedreira, de Água Fria (BA), o especialista aponta que a solução exige uma combinação de limpeza física e tratamento químico.
Confira:
Limpeza física e remoção de matéria orgânica

Não existe solução definitiva sem o trabalho manual. O lodo e o limo criam uma camada aderida às paredes que precisa ser removida mecanicamente.
- Esfregação: é necessário esfregar o fundo e as laterais do bebedouro (seja de concreto, plástico ou pneu) para soltar a biomassa.
- Manutenção diária: o uso de peneiras (estilo as de piscina) para remover folhas, insetos e restos de comida que boiam ajuda a evitar que essa sujeira apodreça e vire sedimento no fundo.
O poder do cloro no controle microbiológico

O cloro é o principal aliado do pecuarista. Ele atua eliminando bactérias e oxidando a matéria orgânica, impedindo que o lodo se forme rapidamente.
- Segurança ruminal: Fernando Loureiro reforça que, nas doses recomendadas, o cloro não prejudica as bactérias do rúmen nem o desempenho do animal.
- Aplicação: pode ser utilizado em pastilhas (colocadas em flutuadores) ou na forma granulada, sempre respeitando o volume de água do reservatório para manter o residual de desinfecção.
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Tratamento de grandes reservatórios (algicidas e decantadores)

Em fazendas com reservatórios centrais muito grandes, onde a troca total da água é inviável, deve-se adotar um tratamento similar ao de piscinas:
- Algicidas: produtos específicos que matam as algas responsáveis pela coloração verde e pela textura viscosa do limo.
- Decantadores: ajudam a aglutinar a sujeira suspensa, fazendo-a descer para o fundo, facilitando a limpeza por drenagem ou sucção.
Gestão e cronograma de limpeza
O segredo das fazendas de alta produtividade é a constância. O gado sente um incômodo real ao tentar beber água suja. Aquela “massa verde” que muitas vezes fica na boca do animal é um sinal visual de que a rentabilidade da fazenda está sendo comprometida.
Estabelecer um cronograma fixo de limpeza garante que a água esteja sempre fresca e potável, estimulando o consumo máximo de matéria seca e garantindo o sucesso do lote.
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