
No segundo episódio da série especial baseada no livro “No Pasto é Mais Barato”, de autoria dos professores e zootecnistas Janaína Martuscello e Manoel Santos, os especialistas trouxeram um choque de gestão focado em responder a duas perguntas vitais para a sobrevivência do pecuarista: por que e como intensificar a fazenda?
O debate trouxe um alerta contundente para o setor. Com a constante expansão da agricultura e o endurecimento das leis ambientais, as projeções de mercado indicam que a pecuária nacional será pressionada a elevar a produção de carne entre 20% e 25% até o ano de 2035, utilizando um espaço físico cada vez menor.
Diante desse cenário de forte pressão de mercado, produzir mais em menos área exige, obrigatoriamente, o manejo eficiente das pastagens, sendo a intensificação vertical a única via científica para diluir os custos fixos da propriedade e manter o produtor competitivo.
Confira:
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Os três níveis rígidos do planejamento
O maior gargalo das fazendas de corte e leite no Brasil não é o clima ou o solo, mas sim a falta de visão de longo prazo. O pecuarista costuma cometer o erro gravíssimo de tentar intensificar focando apenas nas tarefas cotidianas, esquecendo-se de desenhar a engrenagem com antecedência. A metodologia “No Pasto é Mais Barato” determina que o sucesso depende do respeito a três degraus hierárquicos:
- Nível estratégico (longo Prazo – 5 a 10 anos): é o topo da pirâmide e define onde a fazenda quer estar no futuro. O produtor precisa estipular qual porcentagem real da área total será intensificada primeiro, pois tentar mudar a propriedade inteira de uma só vez é receita para o colapso financeiro.
- Nível tático (médio prazo – 1 a 3 anos): é a ponte que organiza os recursos para executar o plano estratégico. Envolve estruturar o fluxo de caixa para a compra de insumos, o cronograma de reforma dos piquetes e o planejamento da compra de animais de reposição.
- Nível operacional (curto prazo – o dia a dia): é a execução prática e a botina no pasto. Consiste na leitura diária da altura do capim pelo peão, na regulagem dos piquetes rotacionados, na aplicação do adubo no dia certo após a chuva e na limpeza dos bebedouros.
O erro fatal: O grande erro do produtor é querer intensificar pulando o Estratégico e o Tático, operando apenas com o Operacional (apagando incêndios diários). Sem saber de onde está saindo (Ponto A) e para onde quer ir (Ponto B), ele erra a dose de adubo ou a compra de gado, destruindo o lucro do negócio.
▲ 3. OPERACIONAL ──► O dia a dia (Altura do pasto, adubo e cocho).
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/ \ 2. TÁTICO ───────► Médio prazo (Fluxo de caixa, compras e reformas).
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/_ __\ 1. ESTRATÉGICO ──► Longo prazo (Onde a fazenda quer estar em 5-10 anos).
O caminho do sucesso: três pilares agronômicos no campo
Para conduzir a fazenda do Ponto A ao Ponto B com rentabilidade real, o manejo eficiente das pastagens deve se apoiar em três pilares sequenciais:
- Manejo por altura (o filé-mignon): o capim tropical tem um potencial produtivo absurdo sob o sol, mas exige rigor. Aprender a respeitar as metas visuais de altura de entrada (boca do boi) e de saída (resíduo) é o que garante uma forragem com máxima proteína e energia, evitando o pasto rapado ou o capim passado e fibroso.
- Adubação de manutenção versus intensificação: o produtor precisa aprender a andar antes de correr. Primeiro, faz-se a adubação de manutenção para repor o que o gado extrai e estabilizar o solo limpo. Só depois de dominar esse eito é que se avança para a adubação de intensificação (altas doses de nitrogênio) para explodir a capacidade de suporte.
- Escolha da planta forrageira: optar por cultivares modernas e de alta produtividade que respondam de forma eficiente ao nível de investimento aplicado na área.

O cenário atual: o Brasil do pasto e a média nacional que engana
O Brasil ostenta um número imponente, com aproximadamente 165 milhões de hectares de pastagens cobrindo o território nacional. No entanto, o desempenho médio desse imenso patrimônio revela um quadro de estagnação produtiva.
A taxa de lotação média do país está estacionada em pífia 1,0 UA/ha (Unidade Animal por hectare). O especialista adverte que essa média nacional esconde a realidade real: enquanto existem produtores de vanguarda trabalhando com alta densidade, há um volume imenso de propriedades operando muito abaixo disso, em regime extrativista e com pastos severamente degradados.
Intensificar o pasto não é um bicho de sete cabeças, mas exige que o produtor guarde a enxada por algumas horas e assuma o comando da mesa de escritório. A dica é descobrir exatamente onde a fazenda está hoje (Ponto A) e desenhar a meta de onde quer que ela esteja daqui a 5 ou 10 anos (Ponto B). A recomendação é tentar não entupir as pastagens de gado e jogar adubo no escuro sem antes alinhar o planejamento tático e treinar o peão no manejo de altura do capim.
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