
O avanço da genética, da gestão e da integração entre produtores e indústria ajuda a explicar por que o Vale do Araguaia, em Goiás, se consolidou entre os principais polos de produção de carne bovina do país. A região, formada por 11 municípios, passou por uma transformação nas últimas décadas e hoje entrega animais mais jovens, mais pesados e com maior rendimento de carcaça.
A avaliação é do zootecnista Fabiano Araújo, diretor-fundador da Aval Serviços Tecnológicos e um dos responsáveis por introduzir a tecnologia de ultrassonografia de carcaça no Brasil.
Em entrevista ao apresentador Mauro Ortega, direto da unidade da Friboi, em Mozarlândia (GO), Araújo apontou que a evolução regional é resultado de um trabalho construído ao longo de anos por produtores que apostaram em tecnologia, melhoramento genético e planejamento.
Confira:
Da carcaça de 18 arrobas ao boi acima de 23 arrobas

Segundo relato apresentado durante a entrevista, há cerca de 25 a 30 anos era comum o abate de animais com 17 ou 18 arrobas e idade entre três e quatro anos. Hoje, a realidade encontrada no Vale do Araguaia é outra.
A região passou a produzir bovinos mais precoces, com acabamento de carcaça e pesos superiores a 22 e 23 arrobas, reflexo da evolução genética dos rebanhos e dos avanços no manejo nutricional.
Fabiano atribui parte dessa mudança aos criadores que adotaram tecnologias antes da maioria do mercado. “São pessoas à frente do tempo. Essas pessoas visionárias que querem deixar um legado futuro para a pecuária.”
Genética e ultrassonografia mudaram a seleção dos animais

Um dos marcos dessa transformação foi a chegada da ultrassonografia de carcaça ao Brasil no início dos anos 2000. A ferramenta passou a permitir avaliações mais precisas sobre características ligadas ao rendimento, acabamento e qualidade da carne.
Antes disso, a seleção era baseada principalmente no peso dos animais, o que nem sempre refletia eficiência produtiva. “Hoje as carcaças têm um pouco mais equilíbrio”.
Segundo o especialista, a tecnologia ajudou os criadores a selecionar animais capazes de crescer, terminar mais cedo e apresentar características valorizadas pela indústria frigorífica.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!
Integração entre produtores fortalece a região

Outro fator apontado para o crescimento do Vale do Araguaia é a troca constante de informações entre os pecuaristas da região.
Fabiano destacou que produtores locais compartilham experiências, estratégias de manejo e resultados, criando um ambiente de aprendizado coletivo. “Esse vale é muito forte e a gente trabalha muito com troca de ideias.”
De acordo com ele, a combinação entre genética, gestão, nutrição e integração com a agricultura elevou os índices produtivos da região.
Carcaças mais pesadas aumentam eficiência

Os resultados aparecem nos números da produção. Enquanto a média nacional de peso das carcaças gira em torno de 20 arrobas, produtores do Vale do Araguaia têm alcançado médias superiores. “A média nacional é 20,4 e a nossa o ano passado nós fechamos o ano inteiro com 23,4.”
O ganho de peso por animal permite maior produção de arrobas sem necessidade de ampliar o rebanho ou a área utilizada, aumentando a eficiência econômica das propriedades e reduzindo custos na indústria.
Gestão e acompanhamento dos resultados

Fabiano também atribui o desempenho regional ao acompanhamento detalhado de todas as etapas da produção, desde a escolha dos reprodutores até a avaliação das carcaças no frigorífico.
O uso de informações sobre fertilidade, ganho de peso, rendimento e eficiência alimentar passou a orientar as decisões dentro das fazendas. “Hoje não tem mais achismo, tem profissionalismo.”
Para ele, o sucesso do Vale do Araguaia está ligado à capacidade dos produtores de unir tecnologia, planejamento e análise de resultados para melhorar continuamente os índices produtivos.
Legado dos pioneiros
A trajetória da região também foi construída por pecuaristas pioneiros, entre eles Carlos Alberto de Oliveira Filho, o Beto Batateiro, fundador do Grupo Santa Vitória. Ele foi um dos responsáveis por impulsionar a produção de gado precoce e carcaças de maior qualidade na região.
Fabiano, que hoje participa da gestão do grupo, destaca que a continuidade desse trabalho ajuda a manter o protagonismo do Vale do Araguaia na pecuária nacional. “A gente tem saudade e a gente tem responsabilidade de continuar melhorando”.
News Giro do Boi no Zap!
Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.