PREVISÃO DO TEMPO

Geada segue até sexta-feira no Sul, enquanto Norte pode acumular 250 milímetros de chuva

A persistência do ar polar exige cuidados contínuos contra a hipotermia no Sul, enquanto os pecuaristas da Amazônia devem acelerar o remanejamento do gado para escapar das enchentes

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

A previsão do tempo desta quarta-feira (24) traz um alerta de monitoramento rigoroso para as duas extremidades do mapa produtivo nacional. As imagens de satélite confirmam que uma robusta massa de ar polar fincou base sobre o Centro-Sul do Brasil, provocando geadas consecutivas e marcas congelantes.

O produtor deve manter o plano de contingência acionado no curral, pois o bloqueio atmosférico vai segurar o ar gelado nas baixadas por vários dias antes de o sistema recuar. Enquanto isso, o Extremo Norte enfrenta o cenário oposto, com temporais avassaladores ativados pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Confira a previsão completa com o meteorologista Arthur Müller:

Região Sul e MS: geada a semana inteira nas baixadas

O frio extremo não será um evento de apenas uma noite; a retaguarda da frente fria operará em regime de forte persistência. O risco de geada permanece ativo todos os dias, até sexta-feira (26), cobrindo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e o extremo sul de Mato Grosso do Sul.

Com os termômetros rastejando na casa dos 0°C nas áreas de baixada, o manejo de salvamento do gado contra a hipotermia deve continuar rígido. Mantenha os lotes mais sentidos (bezerros e vacas magras) abrigados em piquetes com capões ou barreiras de vento.

A partir da semana que vem, a massa polar perde força e o risco de geada recua, ficando restrito apenas aos pontos mais altos e tradicionais das serras sulistas.

Corredor de umidade no Centro-Oeste

Enquanto o gelo domina as baixadas do Sul, a frente fria empurra instabilidades importantes para o interior do país. O sistema frontal está jogando chuva sobre Mato Grosso do Sul e nas áreas da tríplice divisa do Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul).

O eito da TIP e do confinamento em Mato Grosso do Sul deve preparar as calhas, pois os modelos de médio prazo indicam que a semana que vem trará mais pulsos de chuva para o sul do estado, o que exige vistorias constantes para o trato não azedar.

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Alerta de enchente no Norte: 250 milímetros acumulados

Se o Centro-Sul sofre com o gelo, o Extremo Norte do mapa enfrenta o auge do inverno amazônico sob a influência agressiva da ZCIT. O sistema continua altamente ativado, descarregando temporais severos sobre o norte do Amazonas, Pará, Amapá e Roraima, com volumes que podem passar dos 100 milímetros a cada dia.

Na projeção estendida para 15 dias, o acumulado total de água vai ultrapassar a marca dos 250 milímetros. O pecuarista dessas regiões deve retirar urgentemente o gado das pastagens de várzea e de áreas ribeirinhas para evitar perdas por afogamento e o isolamento de lotes.

Orientação ao produtor

  1. Não afrouxe o capricho no Sul: se a sua fazenda está na Região Sul ou no extremo sul de Mato Grosso do Sul, mantenha a vigilância até sexta-feira. A sequência de madrugadas com 0°C vai queimar as brotações e castigar os animais. Garanta que o gado de leite e a bezerrada recém-desmamada passem as madrugadas protegidos. Na TIP, raspe o fundo do cocho para evitar o acúmulo de ração umedecida pelo orvalho congelado.
  2. Mova o rebanho das várzeas no Norte: se a sua porteira fica no norte do Amazonas, Roraima, Amapá ou noroeste paraense, o eito é de monitoramento total dos rios. Com mais de 250 milímetros acumulados no radar da ZCIT, toque os lotes preventivamente para os piquetes mais altos da fazenda para escapar do repiquete rápido das águas, evitando o apodrecimento de cascos e o isolamento de animais na lama.
  3. Manejo de poeira no Brasil Central: na tríplice divisa de MT, MS e Goiás, aproveite o sutil alívio que a umidade trouxe para realizar manejos de curral (pesagens ou apartes) com poeira baixa, pois o bloqueio seco e o calor típico de inverno vão retomar o domínio das pastagens logo após a saída da frente fria.

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