FINANCIAMENTO RURAL

Quase 93% do crédito contratado no agro é destinado à compra de terras, aponta levantamento

Estudo indica que produtores têm utilizado financiamentos para ampliar áreas produtivas e aumentar a capacidade de produção

Foto: Divulgação.
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Um levantamento da corretora Friggi & Secco aponta que 92,8% dos produtores rurais que contrataram crédito por meio da empresa utilizaram os recursos para aquisição e expansão de terras. O estudo foi realizado com 104 clientes, sendo 29 pecuaristas e 75 agricultores.

Segundo a corretora, o resultado indica que parte dos produtores tem recorrido ao crédito para ampliar a área produtiva, em vez de direcionar os recursos apenas para despesas de custeio.

O levantamento ocorre em um cenário de crescimento da produção agropecuária. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de 358,6 milhões de toneladas de grãos em 2025/26. No comércio exterior, o agronegócio brasileiro exportou US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, enquanto os embarques de abril somaram US$ 16,65 bilhões.

Até fevereiro, as contratações de crédito rural empresarial no Plano Safra 2025/26 alcançaram R$ 354,4 bilhões, segundo dados do setor, crescimento de 7% em relação ao mesmo período da safra anterior.

“Existe uma leitura equivocada de que o crédito no agro está sempre associado a custeio, compra de sementes, plantio ou maquinário. Isso existe, claro, mas o que vemos na prática é um produtor que já sabe produzir, que já domina a operação e que busca ampliar escala. Quando 92,8% das operações estão ligadas à expansão de terras, o mercado está dizendo que o crédito virou uma estratégia de crescimento, não apenas de sobrevivência”, afirma o CEO da Friggi & Secco, Alberto Ferreira Friggi, em nota.

De acordo com Friggi, produtores que já possuem estrutura operacional continuam considerando a terra um ativo para ampliar a capacidade produtiva.

Confira:

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Ampliação da capacidade produtiva

Ainda segundo o executivo, o aumento da produtividade pode ocorrer tanto pelo uso de tecnologias quanto pela expansão da área cultivada.

“O produtor que já tem know-how sabe que pode crescer de duas formas: produzindo mais dentro da mesma área, com tecnologia, eficiência e gestão, ou ampliando a área produtiva. Nos últimos anos, a tecnologia elevou muito a produtividade no campo, mas a expansão de terras continua sendo uma das formas mais claras de aumentar capacidade, diversificar risco e preparar a operação para ciclos maiores”, diz Alberto.

Ele acrescenta que a aquisição de áreas também representa uma estratégia voltada ao potencial de produção no longo prazo.

“O Brasil tem uma vocação muito difícil de replicar: escala territorial, clima, tecnologia tropical e presença internacional em alimentos. Por isso, quando o produtor acessa crédito para comprar ou ampliar áreas, ele não está apenas adquirindo terra. Está comprando capacidade futura de produção em um mercado que continua essencial para o Brasil e para o mundo”, completa.

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