
A previsão do tempo desta segunda-feira (6) destaca uma importante transição de padrões meteorológicos em todo o território nacional. A frente fria intensa que provocou eventos raros — como a ocorrência de neve até no Uruguai e nas serras brasileiras — começou a perder força e se desloca em direção ao oceano.
Contudo, a retaguarda do sistema traz uma massa de ar frio e seco que vai derrubar as mínimas no curto prazo, abrindo caminho para a formação de um potente sistema na virada da quinzena que mudará radicalmente o clima no Brasil Central.
Confira a previsão do tempo completa com o meteorologista Arthur Müller:
Rios em alerta no Sul, mas o frio assume o comando
O foco do produtor sulista muda da chuva forte para a gestão das águas acumuladas e do frio nas madrugadas. Embora a chuva cesse nos próximos dias, muitos rios ainda estão em situação de alerta para elevação de nível. Como o volume de água dos últimos dias foi avassalador, a água continua escorrendo das cabeceiras para as várzeas. O pecuarista deve manter o gado afastado de áreas ribeirinhas e fundos de vale.
O que predomina agora é o frio seco. Nas áreas de baixada do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, as temperaturas mínimas devem raspar a casa dos 0ºC, trazendo risco de geada firme nas primeiras horas do dia.
Após esse pico inicial, o risco de geada se dissipa no eito das baixadas, e a tendência é de que as temperaturas comecem a subir gradativamente em todo o Sul.
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Ciclone extratropical vai romper a seca no Brasil Central
Os modelos meteorológicos de médio prazo acenderam o alerta para a formação de um sistema de baixa pressão severo na virada da quinzena. A partir da semana do dia 10 de julho, um ciclone extratropical vai se formar na costa da Região Sul, trazendo o retorno de chuvas volumosas para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
A força desse ciclone será o motor necessário para romper o persistente bloqueio de ar seco no Brasil Central. Na segunda quinzena de julho, a umidade avança e empurra frentes de chuva para o Sudeste e Centro-Oeste.
O sistema terá tanta abrangência que a umidade deve atingir até o interior do Matopiba, provocando chuvas, embora mal distribuídas e de baixo volume, o que ajuda a quebrar a aridez típica da estação.
Orientação ao produtor
- Monitoramento de invernadas no Sul: se a sua fazenda fica no Sul, o eito imediato é de monitoramento de cercas e pastos baixos. Mantenha os lotes protegidos do vento nas madrugadas de 0ºC e não devolva o gado para as várzeas ainda, pois os rios continuam subindo com o escoamento das cabeceiras.
- Marcha batida no Brasil Central: se a sua porteira fica em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais ou São Paulo, o comando é botar marcha batida nas colheitadeiras de milho safrinha, cana e café. Aproveite ao máximo os próximos dias de sol firme e tempo seco, pois o ciclone extratropical da semana que vem vai quebrar a seca e mandar chuva para a segunda quinzena de julho, o que pode embargar o tráfego de máquinas.
- Manejo sanitário de cocho pré-chuva: para os confinadores e operadores de TIP do Centro-Oeste e Sudeste, utilizem essa reta final de tempo seco para fazer o esvaziamento e a limpeza regulamentar dos cochos, sabendo que a virada de umidade na segunda quinzena assentará a poeira das baias, trazendo grande alívio térmico para a engorda da boiada.
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