
O Giro do Boi desta terça-feira (23) apresentou um alerta de extrema relevância para a rentabilidade de criadores e invernistas: o controle estratégico da verminose bovina.
Em entrevista ao Rural Notícias, o gerente de serviços técnicos de antiparasitários da Zoetis, Élio Moro, alertou que as verminoses atuam como um “sócio oculto” extremamente danoso dentro da propriedade, sendo uma ameaça silenciosa que sabota o aparelho digestivo do rebanho.
Mesmo sem manifestar sintomas clínicos visíveis (como diarreia severa ou papeira), a infestação parasitária prejudica drasticamente a absorção de nutrientes, furtando até 100 gramas de Ganho Médio Diário (GMD) por animal e reduzindo o aproveitamento dos investimentos feitos em pastagem e suplementação no cocho.
Confira:
O impacto econômico: 100 gramas a menos por dia e o atraso do abate
Em categorias de cria e recria, cada grama conta para o sucesso financeiro da safra. O rombo no bolso provocado pelas verminoses é expressivo quando colocado na ponta da caneta.
Os parasitas internos causam severas lesões estomacais e intestinais que provocam inapetência crônica (o animal reduz a ingestão de capim). Mais do que comer menos, a verminose impede a absorção de proteínas. O pecuarista investe em sal proteinado ou ração de eito, mas os vermes roubam esses nutrientes antes do organismo do boi.
Ao perder 100 gramas por dia de ganho de peso vivo, o animal atrasa seu desenvolvimento e “mora” mais tempo na fazenda. Estancar essa perda com um calendário preventivo acelera a engorda, faz o garrote atingir o peso de entrada em confinamento ou TIP (Terminação Intensiva a Pasto) mais cedo e promove um giro de estoque rápido, liberando espaço nas pastagens e injetando liquidez no caixa.
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O novo status sanitário do Brasil e a “armadilha” do manejo
O especialista trouxe um alerta rigoroso sobre a recente consolidação do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. Se por um lado a mudança elevou o patamar internacional da carne brasileira — abrindo as portas para mercados exigentes e que pagam prêmios elevados por carcaça, como Estados Unidos e Japão —, por outro criou uma armadilha de manejo na porteira.
Com o fim das campanhas obrigatórias contra a aftosa, muitos produtores relaxaram nas idas do gado ao tronco, abandonando o controle de vermes, ectoparasitas e doenças infecciosas. Élio Moro reforçou com propriedade: “Sanidade não é só aftosa. Parar com o controle de verminose destrói a produtividade do rebanho”.
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