GIRO DO BOI RESPONDE

Capim-Mombaça é viável no Pará? Especialista responde a produtor

O zootecnista Edmar Peluso avalia os filtros de solo e umidade da região Norte, alertando que plantar o Capim-Mombaça em áreas mal drenadas gera o efeito "capim duro", e aponta o Capim-Xaraés como alternativa de cabeceira

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

O pecuarista Leandro Albuquerque, do município de Castanhal, localizado na região nordeste do estado do Pará, está planejando a introdução de novas pastagens na propriedade e procurou o Giro do Boi com um questionamento essencial: o Capim-Mombaça é viável técnica e economicamente para as condições fitoclimáticas da sua região no Norte do país?

A resposta prática e o direcionamento estratégico foram detalhados pelo zootecnista Edmar Peluso, consultor da Gerente de Pasto. Peluso esclareceu que, embora o Capim-Mombaça seja uma forrageira de altíssimo potencial produtivo, o sucesso do projeto no Pará dependerá rigorosamente do cumprimento de dois filtros inegociáveis: a drenagem e a fertilidade do solo. Errar nessas exigências é o que faz muitos invernistas da Região Norte quebrarem a cara e colherem apenas “capim duro”.

Confira:

O alerta do mombaça no Pará: cuidado com a drenagem

O Capim-Mombaça é uma planta espetacular para sistemas de rotação intensiva e TIP (Terminação Intensiva a Pasto), mas o solo para o seu cultivo precisa ser, obrigatoriamente, bem drenado. Se a área da fazenda em Castanhal for de baixada, pesada ou tiver qualquer tendência a acumular água ou reter umidade excessiva, o plantio do Mombaça é contraindicado.

“O que mais acontece no Pará é o produtor semear Mombaça em áreas úmidas e, depois, reclamar que só colhe capim duro. O excesso de água estressa a raiz do Panicum, fazendo a planta alongar o colmo (talo) de forma acelerada para tentar respirar. O pasto vira uma macega fibrosa, lenhosa e sem folha que o boi refuga”, alerta Edmar Peluso.

Para os eitos de terra encharcada ou áreas de várzea, a Brachiaria humidicola segue sendo a rainha indiscutível no Pará, pois suporta o estresse hídrico por natureza, mantendo a integridade do pasto.

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O filtro da fertilidade: planta exigente pede nutrição

A segunda grande barreira para a viabilidade econômica do Capim-Mombaça é a sua alta exigência nutricional. Ele funciona sob a lógica de uma cultura agrícola de alta tecnologia.

O cultivar demanda solos de alta fertilidade. Lançar essa semente em solos fracos, ácidos ou arenosos sem realizar uma calagem pesada e uma adubação robusta de base (fósforo e potássio) resultará em degradação precoce. O capim vai amarelar, definhar e sumir do piquete em pouco tempo.

É mandatório coletar amostras e fazer a análise laboratorial da terra. Se o produtor não tiver o orçamento planejado para investir em fertilizantes e corretivos, o plantio do Mombaça torna-se economicamente inviável.

A alternativa de cabeceira: o capim-xaraés

Se a invernada do Leandro apresentar um solo relativamente bem drenado (terra firme, sem risco de encharcamento), mas a fertilidade da terra for média e o orçamento não comportar adubações pesadas, o especialista trouxe a alternativa perfeita: o capim-xaraés.

O Xaraés tolera um nível de umidade no solo consideravelmente maior do que o Mombaça (embora também não suporte o encharcamento total da humidicola). Ele é muito menos exigente em fertilidade química e se defende muito bem em solos médios, entregando excelente produção de folhas e ótimo ganho médio diário (GMD). Exige apenas atenção do peão no manejo de altura do rotacionado para não passar do ponto de pastejo e sementear cedo.

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