
O pecuarista Ricardo Rufo, do município de Ponte Alta, no estado do Tocantins, relatou que está focado no projeto de recria de novilhas intensiva, mas errou a mão no planejamento do pasto e percebeu que a densidade do rebanho está excessivamente alta, operando na marca de 8,4 cabeças por hectare. Querendo manter a mesma quantidade de gado na fazenda, ele buscou a orientação do Giro do Boi para evitar o colapso do sistema.
A mentoria técnica e o plano de contingência foram detalhados pelo consultor em pecuária e zootecnista Luis Kodel. O especialista emitiu um sinal de alerta severo: manter uma taxa de lotação elevada de 8,4 cabeças/ha na entrada do período de estiagem coloca toda a recria em risco biológico e financeiro. Kodel explicou o que fazer e desenhou duas rotas emergenciais para salvar a fazenda do prejuízo, alertando que o orçamento de capim da propriedade estourou e precisa de correção imediata.
Confira:
O diagnóstico: o perigo da superlotação na seca do Tocantins
O veredito do zootecnista foi direto: operar com 8,4 cabeças por hectare no início do período seco é uma linha de manejo perigosíssima. O Brasil Central e o Norte acabaram de entrar no inverno e a taxa de acúmulo de forragem despencou em virtude da falta de chuvas e da menor luminosidade diária.
Com essa altíssima densidade de bocas colhendo capim ao mesmo tempo, as novilhas vão rapar o pasto até a raiz em poucos dias. Esse superpastejo destrói o sistema radicular da planta forrageira, comprometendo drasticamente a rebrota do capim quando as águas voltarem, além de derrubar o escore corporal do rebanho por subnutrição (fome). Como o produtor acelerou o eito mais do que a biologia suporta, ele terá de escolher entre duas rotas de salvamento.
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Rota A: suplementação volumosa e o “confinamento a céu aberto”
Caso o Ricardo faça questão absoluta de manter o mesmo estoque de cabeças e não queira comercializar nenhum animal, ele será obrigado a anular a dependência do pasto. A propriedade terá de funcionar como um confinamento a céu aberto, trazendo fibra de fora para o cocho:
- Insumo de fora: a fazenda precisa ter um excedente de forragem guardado no silo (como silagem de milho ou sorgo) ou o produtor terá de adquirir volumoso no mercado da região (bagaço de cana, feno ou silagem de terceiros).
- A régua do 1,5% (dieta de mantença): para estancar a fome das novilhas e poupar o restinho de capim, a recomendação técnica exige o fornecimento diário no cocho de:
- 1,5% do Peso Vivo (PV) do animal em volumoso (calculado estritamente em base de Matéria Seca).
- 0,5% do PV em um suplemento proteico-energético de cabeceira, essencial para turbinar a microbiota do rúmen e fazer o animal digerir e aproveitar essa fibra seca.
Rota B: descarte estratégico para alívio da taxa de lotação
Se o produtor colocar os custos na ponta do lápis e notar que comprar volumoso ou carregar silagem por longos períodos vai inflacionar o custo da arroba produzida, a saída mais segura é abrir a porteira e desestocar a fazenda:
- Venda o fundo do lote: o pecuarista deve realizar uma apartação rigorosa e criteriosa no gado. Identifique os animais de “fundo” (as novilhas mais leves, tardias ou que apresentam pior conversão alimentar) e realize a comercialização imediata delas no mercado de gado magro.
- Projeta a cabeceira: ao reduzir de imediato a taxa de lotação para níveis suportáveis, a pressão de pastejo diminui. O capim que restou na invernada será suficiente para manter os animais de “cabeceira” (as melhores novilhas) ganhando peso de forma linear, uniforme e sem disputa por espaço no cocho, garantindo lucro real no fechamento do lote.
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