PREVISÃO DO TEMPO

Onda de frio polar acende alerta máximo no Centro-Sul e ameaça rebanhos no MS e sul de Goiás

O avanço do ar gelado exige o recolhimento estratégico dos lotes mais vulneráveis e a proteção das estruturas de trato antes que as marcas congelantes se estabeleçam

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

A previsão do tempo desta sexta-feira (19) traz um dos comunicados mais graves e urgentes do ano para a agropecuária nacional. O inverno de 2026 começa oficialmente neste domingo, 21 de junho, e as portas do polo sul vão se abrir. Uma massa de ar polar de intensidade histórica está avançando na retaguarda de um sistema frontal, prometendo derrubar os termômetros a níveis severos em todo o Centro-Sul a partir do início da próxima semana.

O produtor deve agir imediatamente com as equipes de campo para proteger o rebanho e evitar perdas trágicas. Acompanhe as coordenadas do mapa para o manejo preventivo de sobrevivência.

Confira a previsão do tempo completa com o meteorologista Arthur Müller:

Risco de hipotermia e mortes de gado em Mato Grosso do Sul

O foco de atenção e o maior perigo de prejuízo direto nesta virada de clima estão concentrados no Centro-Oeste:

  • O retrato do perigo: no sul de Mato Grosso do Sul, o eito vai enfrentar de 3 a 4 dias consecutivos de frio extremo, com as temperaturas mínimas despencando para marcas críticas entre 4°C e 5°C.
  • O fantasma do passado: vale relembrar com gravidade que, no mês passado, o país já registrou episódios trágicos de mortes de gado por hipotermia devido a quedas bruscas de temperatura. Com o gado de corte vindo de um período seco e com a imunidade vulnerável, esse vento gelado pode ser fatal se o rebanho estiver exposto.
  • Orientação de campo: o produtor sul-mato-grossense deve realizar o recolhimento preventivo do rebanho. Retire os lotes mais sensíveis (bezerros recém-desmamados, vacas magras e animais de cocho/confinamento) das áreas abertas e sem proteção, movendo-os para piquetes com capões de mata, invernadas com barreiras naturais de vento ou galpões cobertos. Não deixe a boiada a céu aberto!

Fronteira do gelo avança: risco de geada no sul de Goiás

A massa de ar polar subirá com tanta força pelo interior do continente que quebrará as barreiras tradicionais do Sudeste e adentrará o Cerrado. O alerta de risco de geada ativa-se não apenas para o Mato Grosso do Sul, mas atinge também o sul de Goiás no início da semana.

O pecuarista goiano deve monitorar de perto as áreas de baixada. A geada queima o restinho de folha verde do capim, acelerando a perda de qualidade nutricional da pastagem e exigindo um ajuste imediato na suplementação de seca (uso de proteinados) para o gado não perder peso no eito.

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Região Sul: tombo de água de 100 milímetros antecede o gelo

Antes do frio congelante se estabelecer, a frente fria descarregará volumes pesados no Sul do país. O Rio Grande do Sul já começa a registrar instabilidades nas próximas horas. A mancha de chuva mais volumosa se concentra sobre Santa Catarina e o Paraná, onde os acumulados vão atingir 100 milímetros em apenas 5 dias.

Esse excesso de umidade saturará o solo de forma imediata, paralisando temporariamente as colheitas da safrinha e os trabalhos de campo no Sul, deixando as invernadas pesadas antes da chegada do vento minuano.

Orientação ao produtor

  1. Ação preventiva imediata no Centro-Oeste: Com o início do inverno no domingo e o aviso meteorológico na tela, o eito exige responsabilidade total. Se a sua propriedade fica em Mato Grosso do Sul ou no sul de Goiás, monte a sua equipe a cavalo agora mesmo e faça o recolhimento estratégico dos lotes mais sentidos para áreas protegidas do vento. Não espere ver o boi arrepiado e tremendo no canto da cerca para tomar uma atitude — o manejo preventivo de três dias pode salvar milhares de reais em matrizes e bezerrada.
  2. Proteção do cocho no Paraná e Santa Catarina: nas fazendas sulistas, cubra os cochos da TIP/RIP com lonas, garanta o escoamento das praças de alimentação e prepare-se para enfrentar o barro antes que o gelo se estabeleça. Garanta o estoque de ração nos galpões para evitar caminhões atolados nos ramais.
  3. Ajuste o sal no Cerrado Goiano: com a geada ameaçando queimar o topo das pastagens no sul de Goiás, mude a estratégia nutricional. Forneça suplementos proteicos de transição/seca para compensar a perda rápida de proteína do capim queimado pelo frio, evitando o efeito “boi sanfona”.

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