A PROTAGONISTA

IATF: pecuarista melhora eficiência reprodutiva do rebanho e rentabilidade de fazenda de cria no MA

Ao abolir o uso de touros a campo e implantar 100% de IATF combinado com a ressincronização precoce, a produtora maranhense alcançou 52% de prenhez logo no primeiro dia de eito, elevando o volume de bezerros desmamados na safra em 20%

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

O quadro “A Protagonista” desta quarta-feira (3) recebeu a pecuarista maranhense Adelaide Britto. Comandando com maestria um projeto de pecuária de cria no Maranhão, a produtora compartilhou como transformou a propriedade rural da família em uma empresa de alta performance.

O tema central da entrevista deu total sustentação ao título do programa: a aplicação rigorosa da tecnologia de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e da ressincronização precoce revolucionou a eficiência reprodutiva do rebanho e alavancou a rentabilidade da fazenda de cria.

Mesmo sendo o Brasil o maior exportador mundial de carne bovina, a produtora demonstrou que a difusão dessa ferramenta é o caminho mais rápido para o pecuarista evoluir, conquistar previsibilidade de caixa e produzir animais com padrão de acabamento exigido pelo mercado de cortes nobres.

Confira:

O impacto dos números: 52% de prenhez em um único dia de trabalho

A precisão dos protocolos hormonais e de manejo adotados no projeto de Adelaide Britto impressiona e desenha o cenário ideal da pecuária de ciclo curto, alcançando marcas expressivas na folha de produtividade:

  • Metade do rebanho prenhe no dia 1: a fazenda atinge a expressiva marca de 52% de taxa de concepção logo na primeira rodada de IA. Na prática, isso significa que em um único dia de eito e trabalho concentrado no tronco de contenção, metade de todo o rebanho de matrizes da propriedade é chancelado como prenhe.
  • A alavanca da ressincronização precoce: para as matrizes que restam vazias após o primeiro diagnóstico de ultrassom, a gestão da propriedade não perde tempo esperando os 30 dias do ciclo reprodutivo natural da vaca. É aplicado imediatamente o protocolo de ressincronização precoce para antecipar a nova inseminação.
  • Bônus de 20% no faturamento: esse manejo cirúrgico focado em não carregar útero vazio eleva a taxa de prenhez final da estação para acima de 80%. Esse incremento representa um acréscimo de 20% no volume total de bezerros desmamados na safra, engordando diretamente o faturamento da fazenda de cria.

Gestão com cabeça de empresa e a estação de 96 dias

Ao adquirir a propriedade no Maranhão, a mentalidade de Delide já estava focada no lucro por hectare. Ao se deparar com um sistema tradicional que operava com touros soltos a campo e parições desordenadas ao longo do ano, a decisão foi banir a monta natural:

  • Veto ao touro de boiada: a fazenda aboliu o uso de reprodutores sem avaliação desde o primeiro dia. “Nós não queríamos apenas ter uma fazenda, queríamos uma empresa rentável. E na reprodução moderna, o que existe de mais rentável e tecnológico é a IATF, destacou a criadora.
  • Ajuste de calendário: a equipe estruturou um cronograma minucioso para alinhar os lotes de matrizes paridas. Com um planejamento rígido, a fazenda concentrou todo o período de cobertura em uma estação de monta de apenas 96 dias. Isso garante que 100% dos nascimentos ocorram aglomerados na melhor época do ano, gerando o valioso e pesado “bezerro do cedo”.

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Sustentabilidade, genética e previsibilidade operacional

Para a pecuarista, os ganhos com o uso da IATF extrapolam os índices zootécnicos de parição e impactam diretamente a sustentabilidade ambiental e financeira do negócio:

  • Mais carne na mesma área: o uso de sêmen de touros de central com sumários genéticos provados gera bezerros com maior velocidade de ganho de peso e melhor conversão alimentar. Produz-se mais quilos de carne utilizando o mesmo espaço de pasto, o que reduz drasticamente a pegada de carbono por arroba produzida.
  • Previsibilidade financeira: ao concentrar os nascimentos e as inseminações em datas fixas, a gestão da fazenda consegue planejar o fluxo de caixa com precisão, organizar as compras de insumos e suplementos em escala com fornecedores e otimizar a mão de obra dos peões, eliminando a lida improvisada.

O gargalo cultural do rebanho maranhense

Embora a tecnologia da inseminação seja altamente democrática e acessível, Adelaide trouxe dados estatísticos que evidenciam o tamanho do oceano de oportunidades que o Nordeste e o Brasil ainda têm para explorar:

  • O tamanho do rebanho: o estado do Maranhão consolidou um rebanho robusto de 10,3 milhões de cabeças de gado (segundo dados consolidados do IBGE).
  • Baixa adesão: desse universo total de matrizes aptas, apenas 16% recebem a tecnologia da IATF. O restante do estado ainda depende da monta natural por touros de eito sem avaliação.
  • Quebrando mitos: a produtora pontuou que esse atraso é puramente cultural, pois o pequeno e o médio criador ainda carregam a falsa impressão de que a inseminação exige laboratórios caros ou estruturas cinematográficas. A IATF é uma técnica barata pelo retorno que entrega e se paga com folga na qualidade do bezerro desmamado.

A história de Adelaide Britto no Maranhão é a prova definitiva de que a caneta do gestor é tão importante quanto o laço do vaqueiro. Tratar a reprodução da fazenda com o rigor de uma fábrica — controlando os dias de estação, medindo a prenhez do primeiro dia e usando a ressincronização precoce para caçar a vaca vazia — é o que separa o pecuarista extrativista do empresário do agro.

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