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Consórcio de Miyagi com sorgo pode comprometer silagem, diz agrônomo; entenda

O agrônomo Wagner Pires alerta que o plantio simultâneo das duas culturas pode gerar sérios problemas operacionais, como o travamento de máquinas colhedoras, além de reduzir o valor nutricional da silagem devido ao excesso de talos lignificados do capim

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

O Giro do Boi desta terça-feira (5) trouxe um alerta técnico fundamental para o produtor Sidnelson Carlos de Deus, da Agropecuária Boa Sorte, em Guiratinga (MT). O engenheiro agrônomo e embaixador de conteúdos sobre pastagens, Wagner Pires, esclareceu os riscos de tentar produzir silagem consorciando o capim Miyagi com o sorgo.

Segundo o especialista, embora o Miyagi seja uma potência em produtividade, suas características morfológicas podem transformar o que seria uma reserva estratégica em um pesadelo operacional e nutricional, especialmente em um ano marcado pelo rigor do El Niño.

Confira:

O problema dos talos e o risco operacional

O Miyagi é uma cultivar de Panicum maximum conhecida pelo crescimento explosivo, mas que exige manejo de “pulso firme”. Para a produção de silagem consorciada, essa característica torna-se um gargalo.

O Miyagi “passa” do ponto com muita facilidade. Seus talos tornam-se grossos e extremamente duros (lignificados) em pouco tempo. Esses talos duros e compridos representam um perigo para as ensiladeiras. O risco de “embuchar” a máquina é alto, o que gera paradas constantes, custos de manutenção e atrasos na colheita.

O excesso de fibra dura proveniente dos talos do capim, quando misturado ao sorgo, reduz a densidade energética da silagem, resultando em um alimento de menor qualidade para o rebanho.

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Concorrência e conflito de crescimento

Plantar o Miyagi simultaneamente com o sorgo cria uma competição indesejada na lavoura, prejudicando o aproveitamento de nutrientes e água. Por crescer muito rápido, o Miyagi pode “abafar” o sorgo se o manejo não for milimétrico.

Em anos de seca severa, como o previsto para 2026, a competição por umidade residual entre as duas culturas pode comprometer o desenvolvimento de ambas, diminuindo o volume final de massa colhida.

A estratégia recomendada: plantio escalonado

Para garantir o lucro e a segurança alimentar do gado, Wagner Pires sugere que o produtor abandone o consórcio em favor da sucessão de culturas no sistema de integração.

  • Passo 1: sorgo isolado – plante o sorgo sozinho para garantir uma silagem limpa, rica em energia e fácil de colher.
  • Passo 2: miyagi na sequência – utilize o Miyagi como cobertura de solo e pastagem de inverno logo após a retirada do sorgo.
  • Benefício: isso permite que o capim sirva como uma reserva de pasto fresco para o período crítico, sem prejudicar a qualidade do volumoso armazenado no silo.

Não comprometa sua silagem de sorgo tentando um consórcio arriscado com o Miyagi. Garanta o estoque de cocho primeiro e use o capim como sua “safrinha” de pasto. Ter um pasto de Miyagi bem estabelecido após a colheita será o seu grande diferencial para atravessar a seca com tranquilidade.

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