
Escolher entre recuperação ou reforma de pasto é uma das decisões mais estratégicas da pecuária moderna. A resposta correta depende de diversos fatores, como o estágio da degradação, a capacidade de investimento da fazenda e, principalmente, o objetivo da propriedade para aquela fase da safra. Assista ao vídeo abaixo e confira.
Quem explica é o zootecnista Leandro Martins Barbero, professor da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), entrevistado durante o evento Feedlot Summit Brazil 2024.
Segundo o especialista, o ponto de partida deve ser a definição clara de metas: o produtor quer intensificar a produção? Aumentar a lotação? Ou apenas manter a produtividade?
Com esse norte bem definido, é possível saber quando vale a pena reformar toda a área e quando basta uma recuperação bem conduzida.
Integração lavoura-pecuária: inspiração para a pecuária
A maior evolução nos últimos anos está na adoção de técnicas da agricultura na pecuária, principalmente por meio da integração lavoura-pecuária (ILP).
O professor destaca que máquinas agrícolas sem uso nas lavouras, muitas vezes vendidas como sucata, estão sendo reaproveitadas com grande eficiência nas áreas de pastagem.
“Com a ILP, aprendemos com o agricultor o uso estratégico de semeadoras adaptadas. Em vez de lançar semente e fertilizante aleatoriamente, hoje conseguimos enterrar a semente na profundidade correta e posicionar o adubo próximo às raízes, acelerando o estabelecimento do pasto e reduzindo custos”, explica Barbero.
Reforma eficiente e com menor custo
As semeadoras de grãos, com linhas entre 17 e 45 cm, permitem o plantio adequado de gramíneas como braquiária e panicum, promovendo uma formação rápida e uniforme do pasto. Em muitos casos, é possível iniciar o pastejo em apenas 50 dias após o plantio.
Essa velocidade reduz drasticamente a competição com plantas daninhas, diminuindo ou até eliminando a necessidade de herbicidas.
O resultado é um pasto mais limpo e produtivo já no primeiro ano, com maior capacidade de suporte e menor investimento.
Vantagens diretas da reforma com tecnologia agrícola:
- Formação mais rápida do pasto, favorecendo o primeiro pastejo precoce;
- Redução no uso de herbicidas, graças à menor presença de plantas daninhas;
- Melhor aproveitamento do fertilizante, posicionado próximo às raízes;
- Redução de custos operacionais com menos retrabalho e mais eficiência;
- Pasto mais vigoroso, que suprime naturalmente as plantas infestantes.
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E quando recuperar, em vez de reformar?
Se a pastagem ainda apresenta boa base forrageira e o solo não está tão degradado, a recuperação pode ser suficiente, com intervenções como:
- Adubação de manutenção;
- Controle de invasoras por pastejo rotacionado ou herbicida seletivo;
- Correções pontuais de solo (calagem, gessagem, etc.);
- Melhor manejo da carga animal para evitar sobrepastejo.
A chave está no planejamento da safra
Para Barbero, o planejamento das etapas da safra — seca, águas e transição — é fundamental para acertar na decisão.
“A escolha entre recuperar ou reformar deve estar integrada ao plano anual da fazenda, considerando os recursos disponíveis, o clima e o momento ideal para cada tipo de intervenção”, reforça.
Na prática, isso significa usar bem as janelas de chuva, aproveitar o solo corrigido nas águas e preparar a área para os meses críticos da seca. Assim, o pecuarista garante maior estabilidade de produção ao longo do ano.
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