Uma técnica simples, mas extremamente eficaz, está revolucionando o manejo de vacas e bezerros no Brasil — e agora também na Europa. Batizada de “Nada nas mãos”, a abordagem propõe interações mais calmas e respeitosas com o gado, usando apenas linguagem corporal, posicionamento e atitude, sem gritos, ferrões ou pedaços de pau. Assista ao vídeo abaixo e confira.
O resultado? Menor estresse, mais segurança, melhor desempenho reprodutivo e menos perdas de bezerros.
A explicação detalhada foi dada pela médica-veterinária Adriane Zart, mestre em ciência animal e uma das idealizadoras da técnica, em entrevista ao quadro “Cada Bezerro Importa”, do programa Giro do Boi.
Direto de Cork, na Irlanda, onde vive há dois anos e meio, Zart falou sobre os impactos positivos da prática no campo.
“Nada nas mãos”: técnica brasileira, resultados globais
Criada pelo veterinário brasileiro Paulo Loureiro, a técnica “Nada nas mãos” ganhou força a partir de 2016, com treinamentos promovidos por Adriane no Brasil.
Hoje, o método é replicado por uma equipe especializada e continua ganhando espaço em propriedades que buscam profissionalizar o manejo, reduzir perdas e aumentar a produtividade.
Zart conta que a aceitação nas fazendas brasileiras foi rápida, especialmente entre os vaqueiros e peões.
“Eles já conhecem o comportamento do gado. Quando entendem que podem usar esse conhecimento a seu favor, a técnica vira algo natural para eles”, explica.
Menos estresse, mais bezerros desmamados
O foco da semana era claro: aumentar o número de bezerros desmamados por vaca exposta. A técnica “Nada nas mãos” tem papel fundamental nesse desafio.
Zart lembra que o estresse impacta diretamente a saúde dos bezerros, interfere na eficácia das vacinas e aumenta a taxa de mortalidade, que no Brasil pode chegar a impressionantes 5 milhões de animais por ano — um prejuízo estimado em R$ 14 bilhões.
Além disso, a especialista afirma que um bom manejo é essencial para evitar acidentes, principalmente quando vacas e bezerros são conduzidos de forma inadequada até o curral.
“Com gritaria e empurrão, vacas de 500 kg podem pisotear bezerros de 40 kg. Mas se você usar a técnica correta, consegue separar calmamente vaca e bezerro, diminuindo riscos e perdas.”
Desmama com menos perda de peso
Uma das aplicações mais interessantes da técnica está no processo de desmama. Zart defende a desmama em remanga, em que o bezerro é mantido por 3 a 4 dias em um espaço menor, com água, sombra e feno de qualidade, antes de ir para o pasto.
“Eles se acalmam mais rápido, perdem menos peso e não ficam rodando desesperados atrás da mãe”, diz.
A recomendação é que as mães fiquem em pastos adjacentes, o que ajuda tanto no conforto dos bezerros quanto na logística da fazenda.
“Evita estragos em cercas e facilita a recuperação das vacas”, reforça.
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Melhor taxa de prenhez e saúde reprodutiva
O impacto reprodutivo também é expressivo.
“Uma vaca que se estressa libera muito cortisol, o que interfere diretamente na resposta hormonal e derruba os índices de prenhez na IATF (inseminação artificial em tempo fixo)”, explica Zart.
Segundo ela, o ideal é que a vaca entre no curral andando, e não correndo, o que demonstra que ela está tranquila e com baixa produção de cortisol — condição fundamental para o sucesso reprodutivo.
Liderança com confiança, não com medo
O princípio da técnica é guiar, e não tocar o gado.
“O boi quer enxergar o manejador. Quando você fica atrás, onde ele não vê, ele se assusta. Já pela frente ou pela lateral, você consegue conduzi-lo com mais facilidade”, diz Adriane.
Outro pilar é a aplicação de pressão e alívio: quando o animal responde como esperado, o manejador recua, diminuindo a pressão.
“É a mesma lógica de treinamento de cavalos e cães. O gado aprende rápido quando respeitado”, complementa.
Ensino digital e expansão global
Atualmente, Adriane Zart trabalha na Datamars, na Irlanda, com produtos voltados ao smart farming. Mas continua ativa na disseminação da técnica “Nada nas mãos”, tanto na Europa quanto no Brasil, onde conta com uma equipe de treinadores que atuam em diversas regiões.
Em breve, o grupo lançará a “Escola Pecuária”, um curso online que permitirá a mais pecuaristas aprenderem o método remotamente.
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