NUTRIÇÃO ANIMAL

Calor intenso e hidratação bovina: qual o impacto no peso e na qualidade da carne?

O veterinário Fernando Loureiro explica como a falta de água em dias quentes pode comprometer o desempenho do rebanho. Assista ao vídeo

Calor intenso e hidratação bovina: qual o impacto no peso e na qualidade da carne?
Calor intenso e hidratação bovina: qual o impacto no peso e na qualidade da carne?

O calor intenso tem se tornado um grande desafio para os produtores rurais, principalmente em regiões como Salinas (MG), onde a temperatura no meio do dia pode ultrapassar os 40 °C. Assista ao vídeo abaixo e confira as recomendações.

E em um cenário como esse, garantir a hidratação bovina adequada é mais do que um cuidado — é uma estratégia essencial para manter o ganho de peso e a qualidade da carne.

A dúvida foi levantada pelo zootecnista Leandro Rispoli, que percebeu perda de peso no rebanho devido ao forte calor.

A resposta veio no quadro “Giro do Boi Responde” desta quinta-feira (27), com Fernando Loureiro, médico-veterinário e especialista em qualidade da água e sistemas de hidratação bovina.

A água como principal aliada contra o calor

Segundo Loureiro, a água é o principal termorregulador do organismo bovino. Em dias de calor excessivo, os animais consomem mais água naturalmente para equilibrar a temperatura corporal.

E esse simples gesto tem efeitos em todas as funções orgânicas: melhora a digestão, aumenta a absorção de nutrientes, favorece a reprodução, a gestação, a produção de leite e a formação de carne e gordura.

“Animais que bebem mais água comem melhor e têm melhor desempenho. Já os que bebem pouca água perdem tecido muscular e adiposo, ficando debilitados e com desempenho comprometido”, explicou o especialista.

Impactos diretos no peso e na qualidade da carne

A falta de água suficiente compromete o consumo de capim e de suplemento, o que reduz o ganho de peso e interfere na qualidade da carcaça.

A formação de tecido muscular e tecido adiposo (gordura) depende diretamente da ingestão adequada de nutrientes — e essa absorção está totalmente ligada à hidratação.

Para se ter uma ideia, um animal de 500 kg, em temperaturas médias de 32 °C, pode consumir até 75 litros de água por dia. No caso de vacas em lactação com bezerros, o número pode ultrapassar 100 litros diários.

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Cuidados práticos com os bebedouros

Bovinos saciando a sede em bebedouro. Foto: Divulgação
Bovinos saciando a sede em bebedouro. Foto: Divulgação

Além da oferta de água, a qualidade da água fornecida é crucial. Loureiro alerta para o cuidado com os bebedouros artificiais, que devem estar sempre limpos e livres de algas e lodo, que proliferam mais rapidamente com o calor.

Água suja reduz o consumo espontâneo, o que impacta negativamente o desempenho dos animais.

Outro ponto importante é evitar que o gado caminhe longas distâncias até a água. O desgaste físico excessivo para se hidratar gera estresse e reduz ainda mais o rendimento.

Como agir em períodos de calor intenso?

  • Monitore a temperatura média da região e antecipe ações em dias de calor extremo.
  • Instale bebedouros de fácil acesso, espalhados estrategicamente pela propriedade.
  • Garanta água limpa e fresca com manutenção constante dos bebedouros.
  • Acompanhe o consumo de água por categoria animal, ajustando o manejo conforme necessário.
  • Forneça sombra natural ou artificial, complementando a hidratação com conforto térmico.

Sem hidratação, não há desempenho

bebedouro para vacas leiteiras
Vacas leiteiras tomando água no bebedouro. Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa Gado de Leite

Loureiro finaliza o alerta:

“Em regiões quentes como Salinas, a água é o fator-chave para manter o desempenho produtivo do rebanho”.

O produtor que não se atentar a isso verá perdas significativas em ganho de peso, rendimento de carcaça e até em fertilidade. Garantir hidratação bovina de qualidade é, portanto, uma das práticas mais rentáveis da pecuária de corte.

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