Saiba qual a forma ideal de manejar pastagens de Brachiaria humidicola

Agrônomo explica quais as alturas ideais de entrada e saída do pastejo, taxa de lotação nas águas e na seca, efeitos da adubação e potencial de produção de matéria seca

Em participação no Giro do Boi desta quinta, 27, o engenheiro agrônomo da linha de pastagem da Corteva Agriscience Gabriel Gurian falou sobre o controle de plantas daninhas no centro-norte e leste do estado de Goiás, região onde atua. Por lá, segundo o especialista, o atraso das chuvas trouxe consequências para o desenvolvimento das plantas indesejáveis, que neste momento conseguem brotar mais rápido em relação às pastagens e, por esta razão, a infestação é considerada acima dos níveis normais na região.

“Se ele (o pecuarista) deseja intensificar o seu rebanho na propriedade, ou seja, produzir mais arrobas por hectare, ele precisa fazer esse controle da planta daninha e, neste ano, como as chuvas até agora estavam atrasadas, as plantas daninhas saíram muito vigorosas. E também estamos em um momento ainda propício para fazer a aplicação, porque a planta daninha ainda não está sementeando na maioria dos casos” ponderou Gurian.

Outro alerta feito pelo agrônomo é que como a região sofre com seis a sete meses de seca por ano, o produtor que quiser reforço de pastagens diferidas na dieta de entressafra precisa tomar atitudes nesta hora. “Nós estamos em uma região em que temos de seis a sete meses de seca por ano, nós precisamos ter uma forragem diferida e, consequentemente, sem a planta daninha, senão o animal não vai conseguir ter sucesso lá na seca. Ele (o pecuarista) vai ter que passar o rebanho dele (pela seca) de outras formas”, apontou.

Segundo Gurian, para fazer o controle adequado das plantas daninhas é preciso estar atento às recomendações de dosagens, pois para aquelas que já estão com flores, há uma translocação de nutrientes para a formação do fruto, o que exige maior concentração do defensivo. Tantos as plantas de difícil controle como as anuais e bianuais, segundo o agrônomo, estão em geral no momento adequado para o controle, o que permite impedir seu desenvolvimento e ainda quebrar o seu ciclo através da multiplicação das sementes.

MANEJO DE BRACHIARIA HUMIDICOLA
Em sua participação no programa, Gurian ainda respondeu dúvida de um telespectador a respeito do manejo de humidicola. Amarildo Barbosa, da região de Morro Agudo de Goiás, questionou: “Tenho bastante Brachiaria humidicola na minha propriedade. A dúvida é se esse tipo de capim traz bons resultados para pastejos rotacionados para recria de bezerros Nelore, entrando aos oito meses e saída com 24 meses”.

Gurian respondeu que a Brachiaria humidicola, conhecida pela sua rápida rebrota, é ideal para regiões com solos menos férteis, com textura média. Tem capacidade para suportar 3,5 UA por hectare nas águas, um índice que pode aumentar com adubação de nitrogênio e potássio. O especialista informou que há experimentos que indicam que adubação da humidicola a partir de 100 kg a até 400 kg de cada elemento pode reforçar a taxa de lotação destas áreas. Já nas secas, a lotação adequada é de 1,1 a 1,3 UA/ha, variando conforme o manejo realizado nas águas, como diferimento.

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O pastejo rotacionado pode reforçar também a lotação, mas o produtor deve estar atento para que, nas secas, haja suplemento nutricional para suportar a carga animal desejada.

Gurian falou também sobre a importância do ponto ótimo de pastejo da espécie. A entrada dos animais deve ser feita com a forrageira em uma altura de 30 cm, com a retirada acontecendo aos 22 cm. Esta alta de pós-pastejo pode chegar até os 15 cm caso a área seja adubada, o que pode acelerar a recuperação da planta sem prejudicá-la.

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Gurian informou que a produção de matéria seca da Brachiaria humidicola é de 10 a 12 toneladas por hectare nas águas e de 2 a 4 toneladas na seca em média. Embora tolere condições adversas de fertilidade de solo, a espécie também deixa a desejar do ponto de vista nutricional. Segundo o agrônomo, por este motivo é importante que o pecuarista tenha acompanhamento da nutrição do rebanho, possivelmente fornecendo suplementação proteica para chegar ao ganho de peso desejado.

Veja a resposta completa do agrônomo pelo vídeo abaixo:

 

Foto: Agência de Notícias Embrapa