CAIU NO GOSTO DO PRODUTOR

Pecuaristas ampliam uso dos boitéis para acelerar a engorda e aliviar as pastagens na seca

Com desembolso zero durante o trato, os boitéis se consolidam como ferramentas de planejamento estratégico para preservar as fazendas no período de estiagem

Foto: Divulgação.
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O Giro do Boi segue com a semana especial sobre confinamento. Nesta terça-feira (16), o programa trouxe em detalhes uma alternativa estratégica de engorda intensiva que virou tendência absoluta e caiu no gosto dos produtores do país: a terceirização do trato por meio de boitéis.

Para desmistificar o funcionamento dessa engrenagem e detalhar as projeções para a grande temporada de entressafra que se aproxima, o programa recebeu o médico veterinário Wesley Borba, gerente executivo de confinamentos da JBS.

Ele lembrou que os pecuaristas ampliaram expressivamente o uso dos boitéis como uma extensão estratégica de suas propriedades, acelerando o giro de estoque do boi gordo com alta performance e, ao mesmo tempo, aliviando a pressão de pastejo e a degradação das pastagens durante o período crítico de seca. O modelo destaca-se pela atratividade do desembolso zero e pela flexibilidade de contratos.

Confira:

Risco operacional zero e o trunfo do caixa livre

O principal fator que mantém as estruturas de boitéis cheias e em expansão no Brasil é a segurança patrimonial e a preservação do fluxo de caixa livre oferecidos ao produtor rural:

  • Desembolso zero no trato: o pecuarista não gasta um único centavo do bolso com silagem, ração, aditivos ou mão de obra especializada durante todo o período de cocho. A JBS subsidia 100% do processo de engorda e os custos são liquidados apenas no fechamento do gancho, sendo descontados diretamente do valor final do abate.
  • Custódia garantida: ao assinar o contrato e descarregar os animais na unidade, o risco operacional muda de mãos. Qualquer eventualidade de eito, lesão ou rejeito de cocho é de responsabilidade civil da companhia, garantindo proteção jurídica ao investidor.
  • Poder de barganha na reposição: como o produtor não precisa imobilizar capital em estoques pesados de grãos, tratoristas e frotas, o caixa da fazenda fica totalmente líquido. Isso permite ao pecuarista ir aos leilões com dinheiro à vista para negociar descontos agressivos na compra de novos bezerros.

A estrutura logística e as modalidades de balcão

Foto: Divulgação.
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Atualmente, a companhia opera seis unidades de confinamento estratégico espalhadas pelo Brasil, posicionadas nos principais polos de pecuária de corte: uma em São Paulo, uma em Minas Gerais, duas em Mato Grosso do Sul e duas em Mato Grosso.

Juntas, as plantas somam uma capacidade estática superior a 100 mil cabeças. Trabalhando com uma média de três giros anuais, a expectativa é entregar 300 mil animais gordos ao mercado nesta temporada de 2026.

Para atender desde o pequeno criador até grandes invernistas estruturados, o sistema aceita lotes a partir de 60 cabeças (volume mínimo para completar uma baia padrão) e oferece três modalidades de acerto comercial no balcão:

  1. Diária fixa: o produtor paga um valor pré-determinado pelo dia de permanência do boi no cocho.
  2. Arroba produzida: o custo final fica estritamente indexado ao ganho de peso alcançado pelo animal.
  3. Ração por quilo: o fechamento financeiro baseia-se no consumo real de matéria seca registrado pelo lote.

O boi perfeito de cocho: a régua dos 390 kg a 420 kg

Ao cruzar todo o histórico de dados de milhões de animais confinados nas unidades, Wesley Borba revelou as métricas que garantem a maior eficiência biológica e o melhor lucro líquido para o pecuarista:

  • O alvo de ouro: o animal perfeito para entrar no sistema de boitel é o garrote ou boi magro que chega ao cocho pesando entre 390 kg e 420 kg (na faixa de 13 a 14 arrobas).

Animais que entram nessa régua de peso necessitam de uma janela padrão de 95 a 110 dias de trato (com limite técnico fixado em 120 dias) para depositar gordura de cobertura e fechar a carcaça com excelência. Animais excessivamente leves esticam demais o período de confinamento, elevando o custo de mantença e achatando a rentabilidade do eito.

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A mudança de comportamento: de “pronto-socorro” a planejamento

Foto: Divulgação.
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O consultor destacou que a visão do produtor em relação aos boitéis passou por um amadurecimento técnico profundo. No passado recente, a terceirização do cocho era vista quase como um pronto-socorro emergencial. O pecuarista só enviava o gado em situações de desespero, como secas extremas ou falhas graves no manejo de forragem.

Na realidade atual, a ferramenta tornou-se parte vital do planejamento estratégico anual. O produtor utiliza o sistema para garantir previsibilidade de receita, obter acabamento de carcaça padrão exportação e esvaziar os piquetes na seca. Ao retirar os bois erados da fazenda, poupa-se o solo e preserva-se o capim precioso para a manutenção das vacas de cria.

O raio-X da genética contra o “boi de boiada”

Foto: Divulgação.
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O monitoramento milimétrico feito nas balanças dos confinamentos comprova que o investimento em genética melhoradora determina o lucro. Lotes vindos de criatórios profissionais apresentam consumo linear de matéria seca e conversão alimentar superior. Em contrapartida, os chamados “filhos de boi de boiada” refugam o cocho e têm menor ganho de carcaça.

Para mitigar erros, o time de originação de campo da JBS atua como consultor do pecuarista, avaliando o escore e a condição corporal dos lotes nas fazendas para desenhar uma predição precisa de ganho de peso e viabilidade financeira antes do embarque nos caminhões.

As margens do confinamento nesta temporada de entressafra são as melhores dos últimos anos, e permitir que o gado perca peso nas pastagens secas é um grave erro de gestão. Se o produtor não possui estrutura própria de cocho, a recomendação é fazer como os pecuaristas de vanguarda: terceirizar a engorda nos boitéis, transferir o risco operacional, o barro e o custo diário do trato para quem detém a tecnologia de ponta.

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