ATENÇÃO, PRODUTOR!

Erro na silagem hoje pode virar prejuízo amanhã, alerta especialista; veja o que fazer

O zootecnista Edson Poppi destaca que a limpeza rigorosa da trincheira e a compactação impecável são os pilares para evitar a contaminação por fungos e garantir que o investimento em volumoso não se transforme em perda financeira na abertura do silo

Processo de colheita para a preparação da silagem. Foto: Reprodução
Processo de colheita para a preparação da silagem. Foto: Reprodução

O Giro do Boi desta sexta-feira (24) trouxe orientações cruciais do zootecnista Edson Poppi, um dos maiores especialistas em silagem do Brasil. Com a estação seca se aproximando, o silo torna-se o “seguro de vida” da fazenda, mas Poppi alerta: falhas nos procedimentos de ensilagem geram perdas nutricionais e sanitárias que o produtor só perceberá meses depois.

O segredo para evitar esse prejuízo acumulado está no rigor técnico antes, durante e após o fechamento da trincheira, garantindo que o alimento conservado mantenha o potencial de produção de carne e leite.

Confira:

O coração do silo: compactação e expulsão do ar

De acordo com Edson Poppi, o ar é o inimigo número um da silagem. A ausência de oxigênio é o que permite a fermentação correta e a preservação dos nutrientes.

  • Compactação superior: o momento mais crítico é o enchimento final. A camada superior deve ser compactada com exaustão, pois é onde ocorre o maior risco de perdas nos primeiros 30 cm de profundidade.
  • Processamento de grãos (KPS): é fundamental verificar carga a carga se os grãos estão sendo bem quebrados. Grãos inteiros não são aproveitados pelo animal, resultando em desperdício de energia.
  • Vedação imediata: assim que terminar o enchimento, a trincheira deve ser enlonada e vedada hermeticamente para impedir qualquer entrada de ar posterior.

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Preparação e higiene: resíduo zero

O erro na silagem muitas vezes começa antes mesmo da colheita, na falta de asseio das estruturas de armazenamento.

  • Limpeza da trincheira: não pode haver qualquer resíduo do ano anterior. Restos de lona ou material velho degradado contaminam a nova safra com fungos e leveduras indesejadas.
  • Logística e estradas: caminhões quebrando ou balançando excessivamente atrasam o fluxo e podem prejudicar o ponto ideal de corte.
  • Uso de inoculantes: utilizar aditivos biológicos de qualidade acelera a queda do pH, “blindando” o material contra bactérias ruins logo nas primeiras horas.

Ponto de corte e monitoramento da Matéria Seca (MS)

Colher no “olhômetro” é um convite ao prejuízo. O teor de umidade define o sucesso da fermentação e a aceitação pelo gado. Utilize o teste do micro-ondas ou air fryer para medir a MS diariamente durante a colheita.

Para o sorgo, o ideal é cerca de 30% de MS; para o milho, o ponto ótimo fica entre 35% e 37% de MS. Tenha sempre um agrônomo ou zootecnista responsável acompanhando o processo para ajustes em tempo real.

A silagem deve ser tratada como uma obra de engenharia nutricional. Um silo mal feito resulta em um pesadelo diário de meses, causando acidose e queda na produtividade. Por outro lado, um material bem conservado garante a rentabilidade na seca. Lembre-se: o capricho na execução hoje evita o descarte de comida e dinheiro amanhã.

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