
Segundo dados do IBGE divulgados em maio, o Brasil ultrapassa os milhões de estabelecimentos agropecuários e movimenta 28,4 milhões de ocupações, o que equivale a 26,3% de todos os empregos do país. Desse total de trabalhadores, a grande maioria é assistida por uma rede de 5.092 sindicatos rurais espalhados pelo território nacional.
Em entrevista ao Giro do Boi, o engenheiro agrônomo, pecuarista e presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, José Eduardo Monreal, detalhou como a instituição — que completa 75 anos de história atendendo aos municípios de Campo Grande, Corguinho e Rochedo — transformou as obrigações burocráticas em ferramentas reais de lucratividade e segurança.
A instituição expandiu de forma agressiva o seu portfólio de serviços, passando a oferecer aos seus mais de 400 associados um pacote completo que une contabilidade integrada, assessoria jurídica especializada, convênios de proteção à saúde e projetos de alta inovação tecnológica por um custo altamente acessível.
Confira a entrevista completa:
Terceirização contábil e burocrática completa por menos de R$ 100/mês
A maior facilidade e de maior relevância financeira direta para o caixa da fazenda é o departamento de contabilidade interno completo da instituição, que substitui a necessidade de escritórios terceirizados tradicionais. O sindicato elabora e gerencia toda a folha de pagamento dos peões e colaboradores, cobrindo o controle de FGTS, PIS, registros de carteira e rescisões trabalhistas.
A equipe do sindicato executa e orienta o preenchimento da declaração do ITR (Imposto Territorial Rural), Imposto de Rede, além de emitir Licenças Ambientais e a própria GTA (Guia de Trânsito Animal).
Toda essa gama de serviços contábeis e de assessoria é disponibilizada por uma anuidade média de R$ 1.000,00 por ano (variando conforme o tamanho da área), o que representa menos de R$ 100,00 por mês para manter as obrigações da porteira blindadas.

Os três pilares de atuação: educação, saúde e jurídico
O Sindicato Rural de Campo Grande opera hoje como uma estrutura de governança dividida em três frentes de alto impacto:
- Cursos e formação profissionalizante: em parceria com o Senar, o sindicato promove de 15 a 30 cursos presenciais por mês (com duração de 3 a 5 dias). As capacitações abrangem desde a pilotagem de drones até a operação de maquinários pesados. Além disso, mantém os cursos da Etec, atendendo 144 alunos matriculados em formações técnicas de nível em zootecnia, floresta, agricultura e segurança do trabalho.
- Assessoria jurídica e proteção do chão: um corpo de advogados especialistas atua em regime de plantão para garantir o compliance regulatório frente às portarias governamentais, elaborando o Cadastro Ambiental Rural (CAR), acompanhando licenças complexas e defendendo o direito sagrado de propriedade privada em litígios.
- Atendimento médico e odontológico: a estrutura conta com convênios médicos de ponta (como Unimed e o ecossistema do Hospital Albert Einstein), consultório odontológico na sede e um seguro de vida desenhado para mitigar os riscos operacionais da lida diária no mangueiro (curral).

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Protagonismo e inovação tecnológica com drones no pasto
Antecipando o futuro da agricultura e pecuária de precisão, a entidade lidera projetos inovadores na fronteira da tecnologia de campo:
- Mapeamento de biomassa: o sindicato fechou uma parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisadores da Embrapa para validar softwares que calculam a quantidade exata de Matéria Seca (MS) disponível na pastagem através do imageamento aéreo por drones. Essa inovação refina o planejamento forrageiro e indica o momento exato de rotacionar o gado.
- Integração de escolas rurais: a entidade conecta oito escolas rurais com a academia, levando professores universitários para ministrar aulas práticas de suinocultura, avicultura e pecuária de leite, preparando os futuros profissionais para as demandas zootécnicas regionais.
José Eduardo Monreal trouxe dados científicos que comprovam a sustentabilidade da pecuária tropical frente aos ataques da mídia urbana.
Em Campo Grande, a Área de Preservação Ambiental (APA) do Guariroba engloba 35.000 hectares gerenciados por produtores rurais sustentáveis. Esse eito de pecuária preservada é responsável por produzir e filtrar 50% de toda a água consumida pela população da Capital Morena, entregando uma das águas potáveis mais puras do país e provando que o ecossistema de pasto bem manejado atua como um filtro natural de decantação.
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