NO PASTO É MAIS BARATO

Altura de entrada e saída do pastejo é decisiva para o desempenho da forrageira

Série especial "No Pasto é Mais Barato" ensina que respeitar a biologia do capim explode a produtividade com investimento zero em insumos, eliminando o erro crônico de mudar o gado de piquete por dias fixos de calendário

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

Em mais um episódio da série especial “No Pasto é Mais Barato”, baseada no livro publicado pelos renomados professores e zootecnistas Janaína Martuscello e Manoel Santos, o tema tocou no coração da eficiência produtiva: a arte do manejo na rédea curta e a ciência da altura como o balizador definitivo do lucro na fazenda.

O recado traz uma verdade nítida que todo pecuarista precisa carimbar no curral: intensificar o capim sem saber manejar é o caminho mais rápido para quebrar. Por outro lado, ajustar o manejo é a única tecnologia capaz de explodir a produtividade do eito sem exigir um único centavo de investimento em insumos.

A altura de entrada e saída do pastejo é decisiva para o desempenho da forrageira, pois respeitar os limites biológicos de crescimento da planta é o que determina a qualidade nutricional da folha consumida pelo boi e a capacidade de rebrota do pasto.

Confira:

A ciência da altura versus o mito do calendário fixo

Esqueça os dias fixos de calendário. A planta forrageira não responde ao calendário humano; ela não sabe que dia da semana é hoje e não se importa com o mês do ano. A planta responde estritamente a fatores climáticos e de solo: água, luz, temperatura e nutrientes.

Por isso, o período de descanso dos piquetes deve ser elástico: nas águas (com muita luz e calor), o capim cresce rápido e o descanso encurta; na seca, o crescimento míngua e o descanso precisa aumentar. O único balizador seguro e científico para regular o rúmen do animal e a saúde do pasto é a altura de manejo.

A tabela prática de altura

  • Capim-Mombaça (Gênero Panicum):
    • Entrada: entre 80 e 90 cm (Ponto ótimo de cabeceira que concilia o máximo volume de folhas com alta digestibilidade e proteína).
    • Saída: exatamente a metade da entrada, entre 40 e 45 cm.
  • Híbridos de Braquiária e Capim-Marandu:
    • Entrada: entre 25 e 30 cm (Ideal para manter a estrutura da planta folhosa, densa e perfilhada).
    • Saída: exatamente a metade da entrada, entre 12 e 15 cm.

A regra da metade: a altura de saída deve ser sempre a metade da altura de entrada. Esse resíduo estratégico garante que a planta mantenha folhas verdes suficientes para fazer fotossíntese e capturar luz, permitindo que ela rebrote com vigor sem exaurir as reservas de carboidratos presentes nas raízes.

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O perigo do pasto rapado e do pasto passado

Se você opera a sua fazenda no “olhometria”, alternando entre o prejuízo do pasto rapado (solo descoberto, degradação e gado com fome) e o desperdício do pasto passado (macega dura, fibrosa e lenhosa), a intensificação não vai funcionar.

Os cultivares mais produtivos escolhidos para alta performance — como os coloniões do gênero Panicum — possuem um crescimento vegetativo extremamente agressivo e são indóceis para o manejo. Se o produtor bobear por dois ou três dias, o capim “passa do ponto”, alonga o talo para florescer e perde quase todo o seu valor nutritivo.

A métrica do bolso: a má gestão do recurso forrageira é, na verdade, a má gestão do seu recurso financeiro. Quem não planeja o manejo nas águas é obrigado a gastar rios de dinheiro comprando feno, silagem e rolo de milho na seca para apagar os incêndios causados pela falta de competência técnica.

Divisão de piquetes: a poupança forrageira da seca

A divisão de pastos através de cercas fixas ou móveis é a ferramenta que dá ao gerente o controle total sobre a boca do boi, garantindo a colheita perfeita da forrageira no momento de maior teor de proteína e energia.

Além disso, a divisão viabiliza a estratégia da transferência de forragem (pasto vedado). Durante o período das águas, quando a oferta de capim explode e sobra comida na fazenda, o produtor isola uma parte dos piquetes adubados. Essa sobra gerenciada é guardada em pé como uma “poupança de capim” para ser consumida de forma estratégica no período seco, mantendo o equilíbrio perfeito entre a demanda de bocas do rebanho e a oferta real de trato da fazenda.

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