SANIDADE ANIMAL

Doenças respiratórias no confinamento podem gerar perdas de até R$ 250 por animal; veja como prevenir

O estresse do transporte prolongado e a poeira dos currais derrubam a imunidade do gado na entrada do confinamento

Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Em mais um episódio da semana especial sobre confinamento, o Giro do Boi traz um alerta sanitário importante para um dos maiores gargalos ocultos da engorda intensiva: o complexo da Doença Respiratória Bovina (DRB).

A engorda intensiva no cocho exige a máxima eficiência biológica do gado, mas o estresse acumulado no manejo de embarque, o transporte prolongado, a poeira das praças de alimentação, a mudança repentina de dieta e a aglomeração de animais de origens desconhecidas criam o cenário perfeito para o surgimento de enfermidades.

Em entrevista, o médico veterinário e gerente técnico de serviços da Vetoquinol Saúde Animal, Felipe Pivoto, detalhou que as doenças respiratórias no confinamento sabotam a imunidade do lote e geram perdas silenciosas que chegam a US$ 51 (morbidade) e US$ 100 (mortalidade) por cabeça — o que equivale a prejuízos de até R$ 250 por animal em desempenho —, tornando indispensável a adoção de um rigoroso protocolo sanitário de dose única e longa ação na recepção do rebanho.

Confira:

O rombo financeiro: o custo oculto da DRB no cocho

Deixar para tratar o animal apenas quando ele manifesta os sintomas clínicos clássicos (como tosse, corrimento nasal, febre e isolamento no canto da baia) significa aceitar o prejuízo instalado. O impacto econômico corrói o lucro do confinador em duas frentes severas:

  • O custo da morbidade (animal doente): o processo inflamatório causa apatia profunda. O boi deixa de se alimentar, reduz as visitas à linha de cocho e, mesmo quando consome o trato, registra uma queda drástica na conversão alimentar. Os dados consolidados apontam que a morbidade por DRB gera um prejuízo médio de US$ 51 por animal.
  • O custo da mortalidade (perda total do ativo): se o diagnóstico falhar ou o tratamento demorar, a infecção pulmonar evolui para o óbito. Nesse cenário, o prejuízo dispara para a casa dos US$ 100 por cabeça, sem contabilizar o valor imobilizado do boi magro. Além disso, a rês doente atua como um replicador de patógenos, transmitindo a infecção para o restante da baia e elevando o índice de refugo de cocho.

A régua dos lotes de alto risco: os 5 fatores de triagem

Para desenhar um protocolo sanitário eficiente na entrada do confinamento sem desperdiçar insumos, a equipe da Vetoquinol preconiza avaliar cinco fatores de risco fundamentais na recepção do gado:

  1. Distância do transporte: viagens prolongadas ou interestaduais com muitas horas de estrada.
  2. Origem do lote: animais comprados em leilões picados, de procedências mistas e sem histórico de vacinação.
  3. Mistura de lotes: juntar na mesma baia animais de fazendas e manejos diferentes, quebrando a hierarquia social.
  4. Peso de entrada: animais muito leves ou bezerros jovens recém-desmamados (baixa rusticidade).
  5. Grau de desidratação: condição corporal e escore de chegada devido ao desgaste da viagem.

A regra de ouro: se o lote de chegada apresentar de dois a três desses fatores de risco combinados, ele é classificado automaticamente como lote de alto risco. Esse gado não pode ir para a baia comum sem receber suporte terapêutico preventivo na linha de entrada.

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O protocolo de entrada: metafilaxia e a janela dos 14 dias

As vacinas respiratórias aplicadas na entrada demoram cerca de 14 dias para estimular o sistema imunológico do boi a produzir anticorpos eficientes. É justamente nessas duas primeiras semanas que a DRB ataca devido à poeira e ao estresse da viagem. Para fechar essa “janela da vulnerabilidade”, o protocolo de entrada exige:

  • Anti-inflamatório de longa ação: o uso estratégico do Tolfedine (tecnologia de dose única desenvolvida pela Vetoquinol). Ele atua por 72 horas consecutivas controlando a inflamação e a febre da viagem, sem o efeito colateral de deprimir a imunidade do animal (comum em corticoides), o que otimiza a conversão de matéria seca desde o primeiro dia.
  • Antibiótico de longa duração: associação com um antimicrobiano de base que entregue proteção sistêmica estendida, combatendo os agentes bacterianos invasores antes do manifesto clínico da doença.
  • Limpeza parasitária prática: o animal precisa entrar limpo de verminoses que roubam nutrientes. Recomenda-se o uso de antiparasitários tópicos, como o Contratack Plus Pour-On, que elimina o estresse da agulha no tronco de contenção.

Tratamento de choque no hospital: ação em 10 minutos

Se a propriedade não adotou a metafilaxia preventiva e o animal já foi diagnosticado com a doença instalada no curral, o protocolo de resgate no hospital deve focar em velocidade máxima de ação:

A associação do antibiótico Forcyl com o anti-inflamatório Tolfedine destaca-se pela altíssima velocidade de translocação. Apenas 10 minutos após a aplicação, as duas moléculas já estão agindo diretamente no foco da infecção e da inflamação pulmonar.

Essa resposta ultrarrápida alivia a dor e o estresse térmico, fazendo o animal levantar, beber água e retornar ao cocho em tempo recorde, mitigando as perdas de rendimento de carcaça e prevenindo inclusive sequelas como as doenças podais (lesões de casco) decorrentes do gado deitado no chão duro.

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