ESPECIALISTA RESPONDE!

Boran ou Charolês: qual o melhor touro para vacas meio-sangue Braford x Girolando?

Zootecnista analisa opções de cruzamento, descarta o Boran para este foco e detalha os manejos necessários para extrair o teto produtivo do Charolês no cocho

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

No quadro “Giro do Boi Responde” desta quinta-feira (18), o renomado zootecnista Alexandre Zadra, especialista em genética e cruzamento industrial de bovinos e autor do consagrado blog Crossbreeding, solucionou uma dúvida dupla enviada pelo telespectador Josemar Mascarenhas, da cidade de Cláudio, na região centro-oeste de Minas Gerais.

Josemar possui uma base de matrizes bem peculiar e com excelente habilidade materna: fêmeas resultantes do cruzamento entre Braford e Girolando. Ele questionou, primeiramente, se o uso de touros da raça Boran nessas matrizes geraria um bom bezerro. Como segunda opção, perguntou sobre a viabilidade de utilizar o Charolês para produzir animais superprecoces, abatidos com até 15 meses de idade e peso superior a 20 arrobas.

Zadra esclareceu que a resposta depende diretamente do sistema de manejo e da oferta de comida na fazenda, dividindo as orientações em duas rotas produtivas bem definidas.

Confira:

Entendendo a base genética e o espaço para o Boran

Antes de definir o touro terminal, Zadra explicou a composição das matrizes do Josemar. A vaca Braford (composto taurino que une Hereford e Zebu) cruzada com a Girolando (base de Holandês com Gir) já resulta em uma matriz com expressiva carga de sangue europeu e alto potencial leiteiro.

O Boran é uma raça taurina adaptada de origem africana (Zebu de clima quente). Utilizar o Boran traria um choque de sangue focado em rusticidade e extrema adaptabilidade ao pasto, porém, por ser uma raça de menor porte, não seria a ferramenta ideal para quem busca o teto máximo de ganho de peso e carcaças pesadas acima de 20 arrobas em tempo recorde.

Se o produtor optar por touros europeus pesados, o produto final será um animal altamente produtivo, mas com elevado grau de sangue europeu (superior a 3/4). Sem o devido manejo nutricional no cocho, esses animais podem sofrer severamente com o calor e os parasitas do Sudeste e Centro-Oeste.

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Rota do confinamento total: o potencial do Charolês

Se o objetivo do Josemar é explorar o teto máximo que a biologia animal permite — alcançando a meta de animais de 15 meses com mais de 20 arrobas —, o Charolês surge como o grande campeão, desde que o pasto seja deixado de lado:

Para este cenário de altíssima performance, Zadra recomenda o uso de sêmen de linhagens americanas de Charolês Mocho ou de Black Simental (também mocho). O Charolês é mundialmente reconhecido como o maior ganhador de peso do planeta. Além disso, a característica mocha facilita o manejo de cocho e evita acidentes nas baias.

“Esses animais serão de clima frio e não terão adaptação ao calor do pasto. O manejo aqui tem que ser precoce: desmamar o bezerro cedo, se quiser já aos 3 meses de idade, e trancá-lo direto no cocho. Da desmama até o gancho do frigorífico, a dieta tem que ser caprichada com silagem de qualidade e ração na veia. É o preço para colher a máxima eficiência biológica”, alerta Zadra.

Rota do pasto intensivo: a alternativa dos bimestiços

Caso a fazenda do Josemar não possua estrutura para confinamento total e o plano seja recriar e engordar aproveitando as invernadas, o especialista sugere substituir o foco do Charolês puro por raças bimestiças de grande porte:

  • Canchim ou Santa Gertrudis: o Canchim traz a genética do Charolês, mas com a rusticidade do Zebu.
  • Vantagens a campo: esses touros vão gerar bezerros pesados que mantêm excelente tolerância ao calor do trópico, permitindo que caminhem e pastejem sob o sol. Com uma boa suplementação na RIP (Recria Intensiva a Pasto) e terminação na TIP (Terminação Intensiva a Pasto), eles alcançam carcaças pesadas e com ótimo acabamento, sem sofrimento ambiental.

Quando as vacas são verdadeiras máquinas de produzir leite e estrutura, isso garante uma boa habilidade materna para criar bezerros pesados. O Boran oferece adaptabilidade, mas se foco do produtor é o gancho pesado e a velocidade de ganho de peso, a disputa fica entre o pasto e o cocho.

Se o produtor procura um eito prático a campo, o ideal é que ele vá de Canchim. Se ele possui silagem de sobra no galpão e quer ver o ponteiro da balança explodir em tempo recorde aos 15 meses, a dica é usar o Charolês Mocho.

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