ATENÇÃO, PRODUTOR!

Retorno do El Niño deve concentrar chuvas no Sul e ampliar a seca no Norte

O avanço de uma robusta frente fria, combinado com a consolidação do fenômeno global, acende o sinal de alerta para desastres logísticos e estresse térmico no Centro-Sul

Foto: Jonathan Campos/AEN.
Foto: Jonathan Campos/AEN.

A previsão do tempo desta sexta-feira (12) traz um comunicado de extrema relevância para o planejamento estratégico de longo prazo da sua propriedade. A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) confirmou oficialmente o retorno do fenômeno El Niño.

Nos próximos meses, este evento climático ditará o ritmo das estações no país: ele trará fortes ondas de calor na primavera, cortará drasticamente as chuvas no Norte e no Nordeste, e vai concentrar um volume avassalador de água na Região Sul. O produtor deve ligar o sinal de alerta máximo para o manejo sanitário do rebanho, proteção do trato e logística das lavouras.

Na região de São Miguel do Guaporé (RO), a umidade dará um sutil “respiro” no eito, mas o inverno exigirá atenção com a seca. Na próxima semana, o município receberá um pulso tímido de umidade, acumulando entre 15 e 20 milímetros. Essa água é muito bem-vinda para assentar a poeira nos piquetes, mas está longe de resolver o déficit hídrico.

O mês de julho será severamente quente e seco, marcando o auge da estiagem na região Norte. Sob a influência do El Niño, as massas de ar polar perdem força e dificilmente conseguirão subir pelo interior do país com intensidade. Isso significa que o produtor de Rondônia dificilmente terá episódios de friagem forte neste inverno, mantendo as madrugadas abafadas.

Confira a previsão do tempo completa com o meteorologista Arthur Müller:

Alerta de geada no Sul e frio no Centro-Sul

Se por um lado o El Niño barra a friagem no Norte, por outro ele vai reter e concentrar o ar polar nas áreas de baixada da Região Sul no início da semana que vem. Há um risco real de geada para as áreas de baixada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. As temperaturas mínimas nesses pontos vão despencar, atingindo marcas críticas de até 3°C. Proteja os lotes de bezerros jovens e as vacas de leite contra o frio úmido.

O ar frio também avança sobre o sul de Mato Grosso do Sul e o interior de São Paulo, jogando as mínimas para baixo dos 10°C, mas sem risco de geada para esses dois estados. Em Altamira (PA), o cenário é oposto: a chuva retorna no domingo com máximas firmes de 30°C.

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Alerta de desastre logístico: 300 milímetros de chuva no Paraná

O curto e o médio prazo exigem uma mudança radical na estratégia de trato e circulação de máquinas no Centro-Sul do país. Nos próximos 5 dias, o alerta para temporais e chuvas volumosas continua ativo sobre MS, PR e SP, com acumulados que vão passar dos 100 milímetros.

A situação é dramática para o pecuarista e agricultor paranaense. A tendência de chuva pesada vai persistir por 15 dias consecutivos, com acumulados que prometem ultrapassar os 300 milímetros. Esse excesso extremo de água vai inviabilizar completamente os trabalhos em campo, saturar o solo, estragar cochos abertos e causar atoleiros severos nos ramais internos da fazenda.

Orientação ao produtor

  1. Ação de emergência no Paraná: com a confirmação do El Niño e o alerta de 300 milímetros de chuva consecutiva para o Paraná, o produtor sulista não pode perder um minuto. Corra para garantir o estoque de ração e concentrado em galpões bem secos, reforce as valetas de escoamento e mude o gado da TIP/RIP para piquetes mais altos e firmes. O excesso de barro vai travar os tratores e comprometer gravemente o consumo no cocho se os animais ficarem na lama.
  2. Manejo nutricional em Rondônia: no Norte, aproveite o clima firme que virá após as pequenas pancadas de 20 milímetros para acelerar o eito de cerca, limpar bebedouros e focar na suplementação pesada de seca. O El Niño vai antecipar o calor da primavera, exigindo que o escore das matrizes esteja protegido com um bom proteinado de seca para a próxima estação de monta.
  3. Atenção com a sanidade no Centro-Sul: nos cochos de São Paulo e Mato Grosso do Sul, o acúmulo de mais de 100 milímetros de água exige vistorias diárias para evitar que o trato azede ou empaste. Limpe as calhas com frequência para garantir a máxima eficiência alimentar da boiada.

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