
O produtor Roque Zeniar dos Santos, do município de Feliz, localizado na Serra Gaúcha (RS), está planejando fechar o seu gado no cocho e trouxe um questionamento muito comum na região, onde há uma forte tradição de lavouras. Ele pergunta: é possível obter eficiência produtiva e rentabilidade fornecendo exclusivamente silagem de milho na calha do cocho para terminar os animais?
O doutor em zootecnia e consultor Rogério Coan foi categórico ao emitir um veto absoluto a essa prática, explicando que, por melhor que seja a qualidade do volumoso produzido na fazenda, apostar em uma dieta exclusiva de silagem é uma armadilha que resulta em prejuízo financeiro.
Confira:
Por que confinar apenas com silagem de milho dá prejuízo?
A resposta do Dr. Rogério Coan para o produtor gaúcho foi um “não” definitivo. De acordo com o zootecnista, o erro do pecuarista é acreditar no mito da autossuficiência do volumoso.
Muitas vezes, o produtor olha para uma silagem de milho espetacular — com excelente formação de espiga, alta participação de grãos na matéria seca e ótima digestibilidade — e assume que ela é o suficiente para engordar o gado. Trata-se de um equívoco biológico, pois a silagem sozinha não consegue atender às exigências nutricionais de um animal fechado em regime de alta performance.
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O gargalo biológico: o desajuste entre energia e proteína
Para que um boi atinja um Ganho Médio Diário (GMD) superior a 1,5 kg ou 1,6 kg no confinamento, o rúmen necessita de um equilíbrio cirúrgico entre energia e proteína, o que a silagem isolada não possui.
A silagem de milho é um alimento predominantemente energético e fibroso, mas seu teor de proteína é extremamente baixo, flutuando entre apenas 6% e 7% de PB. Para o gado performar com eficiência em confinamento, a dieta total precisa conter entre 12% e 14% de proteína.
Quando o animal consome uma dieta desbalanceada, com muito amido (energia) vindo do grão do milho e quase nada de proteína verdadeira, ocorre um grave erro metabólico. O animal não consegue construir tecido magro (músculos e ossos) e antecipa a deposição de gordura subcutânea de forma ineficiente.
O garrote vira o chamado “boi sapo” ou “tijolo”: fica baixinho, compacto, para de crescer e passa a ganhar pouquíssimo peso diário. Como consequência, o tempo de cocho se estende, o custo da arroba produzida decola e a conta quebra o bolso do confinador.
A solução
Para que o Roque transforme o valioso milho plantado na Serra Gaúcha em dinheiro líquido, ele precisa utilizar a silagem como a fonte de fibra (volumoso) e complementá-la obrigatoriamente com o concentrado (ração). O especialista orienta estruturar a mistura com os seguintes componentes:
- Aporte de proteína legítima: é fundamental incluir farelos proteicos na mistura, como farelo de soja, farelo de algodão ou os modernos DDG/WDG (coprodutos do etanol de milho), que possuem excelente disponibilidade e forte mercado na região Sul.
- Ajuste com ureia pecuária: o uso correto da ureia ajuda a baratear o custo da proteína degradável no rúmen, dando energia para a flora bacteriana digerir com mais rapidez a fibra da própria silagem.
- Núcleo mineral com aditivos: a inclusão de um núcleo com macro e micronutrientes equilibrados é indispensável. Além disso, o uso de aditivos ionóforos (como monensina sódica ou lasalocida) ou virginiamicina é essencial para aumentar a eficiência alimentar e blindar o estômago do animal contra distúrbios digestivos, como a acidose ruminal.
Ter uma boa silagem de milho em Feliz (RS) é ter meio caminho andado e um baita trunfo nas mãos para baratear o custo do volumoso. Mas o Dr. Rogério Coan lembra que o boi não engorda com saúde e velocidade comendo apenas salada, ele precisa do feijão com arroz bem balanceado no cocho. Procure um técnico ou uma fábrica de rações parceira na Serra Gaúcha, monte um concentrado proteico e mineral para misturar na sua silagem e veja a sua boiada explodir em ganho de peso com lucro real!
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