DESENVOLVIDA PELA EMBRAPA

BRS Carinás: nova braquiária híbrida produz mais folhas e atinge 16 t/ha de matéria seca

A forrageira eleva o teto produtivo em relação à variedade comum, combinando alta densidade foliar e excelente desempenho em sistemas de ILP

Foto: Divulgação.
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O Giro do Boi desta quarta-feira (3) apresentou um grande reforço para a produção de forragem e diversificação de sistemas integrados no Brasil Central: o lançamento da BRS Carinás.

Para detalhar as virtudes agronômicas e os resultados práticos dessa nova forrageira, o programa recebeu ao vivo o zootecnista e pesquisador da Embrapa Cerrados, Dr. Gustavo Braga, doutor em ciência animal e pastagens pela USP.

Desenvolvida pela Embrapa em uma sólida parceria de mais de duas décadas com a Unipasto, a nova cultivar híbrida de Brachiaria decumbens chega ao mercado como uma evolução tecnológica de alta performance da tradicional “braquiarinha” (B. decumbens Basilisk).

O principal destaque do lançamento é que a BRS Carinás produz uma alta densidade de folhas e atinge o teto produtivo de 16 toneladas de matéria seca por hectare/ano, aliando alta rusticidade, boa tolerância ao período seco e excelente vigor de rebrote para sistemas solteiros e de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

Confira:

Os números de desempenho na balança agronômica

Foto: Divulgação.
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Os ensaios oficiais conduzidos no Planalto Central (Embrapa Cerrados – DF) compararam lado a lado o desempenho da nova híbrida com a variedade comum, revelando dados de destaque para a produtividade do eito:

  • Salto em matéria seca: a BRS Carinás alcançou a marca histórica de 16 toneladas de matéria seca por hectare/ano (t/ha), enquanto a decumbens comum estacionou em 14 t/ha. Esse incremento representa um salto de 18% a mais de forragem disponível para o rebanho.
  • Mais folha, menos talo: Como o boi consome a folha verde — onde se concentram os nutrientes e a proteína — e rejeita o talo fibroso, a arquitetura da planta foi desenhada estrategicamente. A BRS Carinás é ligeiramente mais alta que a braquiarinha tradicional, mas ostenta uma proporção de folhas muito superior por hectare, impulsionando o Ganho de Peso Médio Diário (GMD) dos lotes.
  • Reserva na seca: a cultivar demonstrou boa retenção de folhas verdes e tolerância ao período de estiagem, garantindo uma reserva estratégica de volumoso para o período crítico de entressafra no bioma Cerrado.

Desempenho na Integração Lavoura-Pecuária (ILP)

Foto: Divulgação.
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A nova braquiária híbrida foi chancelada como uma excelente opção para os sistemas de rotação e sucessão de culturas após a colheita de grãos.

Em sistemas de sucessão após a colheita da soja, a BRS Carinás mostrou um vigor de rebrote e velocidade de arranque consideravelmente superiores à decumbens comum, antecipando a entrada do gado no pasto de entressafra.

A facilidade de dessecação química com glifosato para o plantio da cultura subsequente foi validada como excelente. A cultivar entrega um volume homogêneo e robusto de palhada para o plantio direto, superando em longevidade a tradicional Brachiaria ruziziensis, que vinha perdendo espaço no mercado.

O vigor da parte aérea indica que a planta constrói um sistema radicular extremamente agressivo no perfil do solo, auxiliando na ciclagem de nutrientes e na descompactação da terra.

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Hábito de crescimento e o alerta de manejo da cigarrinha

O Dr. Gustavo Braga aproveitou o espaço para sanar as principais dúvidas técnicas enviadas pelos telespectadores sobre a estrutura e os limites da nova cultivar:

  • Efeito gramado (fecha o solo): diferente dos capins do gênero Panicum (como o Mombaça), que crescem em touceiras cespitoras e deixam terra exposta, a BRS Carinás tem hábito de crescimento prostrado/estolonífero. Ela ramifica, “grama” o solo e fecha 100% dos espaços, blindando a terra contra erosões e promovendo o abafamento natural de plantas daninhas invasoras.
  • O manejo da cigarrinha: o pesquisador foi transparente ao alertar que a resistência à cigarrinha-das-pastagens não foi um alvo trabalhado no programa de melhoramento desse híbrido. Portanto, a Carinás mantém a sensibilidade da espécie decumbens. Contudo, o mercado dispõe hoje de defensivos biológicos eficientes (como o fungo Metarhizium), e um manejo correto de altura de resíduo dá energia para o pasto se recuperar rapidamente.
  • Restrição ao frio: como toda forrageira tropical, ela paralisa o crescimento no inverno rigoroso. Em regiões com alta incidência de geadas fortes (como o Sul do país), a folhagem sentirá o impacto, não sendo indicada para picos de frio extremo.

Contra a pirataria

O desenvolvimento da BRS Carinás consumiu entre 15 e 20 anos de estudos, iniciando-se na Embrapa Gado de Corte (Campo Grande – MS) até os ensaios finais na Embrapa Cerrados (DF). Os campos de multiplicação já foram finalizados, e as sementes oficiais estarão disponíveis para comercialização neste segundo semestre de 2026.

Por se tratar de uma genética protegida por lei, o apresentador reforçou o alerta de segurança comercial: só adquira sementes que possuam o selo oficial BRS e de empresas associadas à Unipasto. Rejeite ofertas sem certificação de pureza e germinação, pois sementes piratas destroem o planejamento financeiro e infestam o solo com pragas.

A BRS Carinás chega ao mercado para dar uma nova roupagem de alta tecnologia a uma espécie que o pecuarista brasileiro já domina há décadas. Unir a rusticidade da decumbens com a produção de 16 toneladas de folhas limpas e excelente fechamento de solo é a receita exata para enfrentar os desafios de clima e intensificar a fazenda com segurança.

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