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Vale a pena consorciar aveia com braquiária no inverno? Especialista responde

A sobressemeadura de aveia preenche o vazio forrageiro do inverno, mantendo o ganho de peso do gado e preparando o solo para o rebrote explosivo do capim nas águas

Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Ao quadro “Giro do Boi Responde” desta segunda-feira (1º), o produtor Álvaro Leão, da região Sudoeste do Paraná, perguntou se vale a pena e se é possível fazer o consórcio de aveia sobre o capim Aruana (um pânicum que não forma muita touceira) ou sobre as tradicionais áreas de braquiária.

A resposta foi dada pelo engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria. O especialista confirmou que a técnica é altamente viável e funciona como uma verdadeira salvação para o bolso do produtor. Com o termômetro caindo e a seca apertando nas regiões Sul e Sudeste, o consórcio com uma gramínea de inverno é a estratégia ideal para manter o rebanho ganhando peso quando o pasto tropical simplesmente para de crescer.

Confira:

O desafio do inverno e a regra dos 80/20

As gramíneas tropicais, como as pânicuns (Aruana) e as diversas variedades de braquiária, sofrem drasticamente nesta época do ano devido à restrição de luminosidade, escassez de chuva e baixas temperaturas.

Esses capins concentram 80% de toda a sua produção de massa foliar no período das águas (verão). No inverno, eles entram em um estado de quase dormência, produzindo apenas 20% do seu potencial.

O capim que sobra no pasto fica fibroso, lignificado e pobre em nutrientes. É aqui que o consórcio com a aveia preenche o vazio: ela entrega uma massa volumosa no período mais crítico do ano, com altíssima digestibilidade e elevado teor de proteína bruta, beneficiando desde vacas leiteiras até garrotes de corte em recria.

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O segredo do sucesso: plantabilidade da aveia sobre a braquiária

Para que a aveia se estabeleça de forma agressiva no pasto de braquiária ou Aruana, o produtor precisa esquecer o amadorismo e focar na precisão técnica da operação de sobressemeadura:

  • Pasto rapado: o primeiro passo fundamental é rebaixar o capim tropical ao máximo utilizando o próprio gado. O pasto não pode estar alto ou “espetado”, caso contrário, fará sombra e abafará a semente da aveia, impedindo a luz solar de atingir a plântula.
  • Regulagem e velocidade da máquina: posicione a plantadeira diretamente sobre o pasto rebaixado e monitore com rigor a profundidade de deposição da semente. O eito deve ser feito devagar; passar o trator em alta velocidade faz a semente ficar superficial ou enterrada demais, arruinando a germinação.
  • Gatilho da umidade: a aveia necessita que o solo esteja úmido para arrancar com vigor. O produtor deve aproveitar as janelas de chuva trazidas pelas frentes frias, típicas desta transição de clima, para entrar imediatamente com as máquinas no campo.

Benefícios sistêmicos: um tratamento biológico para a terra

Além de colocar alimento verde e nutritivo na boca do gado em plena seca, o consórcio da aveia com a braquiária atua como um excelente condicionador de solo:

  • Abafamento de invasoras (supressão): a aveia cresce rapidamente e ocupa os espaços vazios, realizando uma supressão natural das plantas daninhas de inverno e economizando no uso de herbicidas.
  • Poupança de matéria orgânica: ao final do ciclo de inverno, a aveia morre naturalmente. Toda a sua estrutura de folhas e raízes se decompõe no próprio local, elevando os níveis de matéria orgânica no perfil do solo.
  • Reciclagem de nutrientes: as raízes profundas da aveia buscam nutrientes em camadas inferiores da terra e os trazem para a superfície. Quando ela seca, esses componentes ficam prontamente disponíveis para a braquiária ou o Aruana explodirem em rebrote assim que as primeiras chuvas da primavera retornarem.

O consórcio de inverno prova que o segredo da entressafra é não deixar a terra nua. Fazer a sobressemeadura de aveia exige capricho na velocidade do trator e olho atento à umidade do solo, mas o retorno vem rápido na forma de balde cheio na ordenha e carcaça pesada na balança. Faça o eito bem feito, aproveite a umidade da sua região no Paraná e blinde a sua fazenda contra a fome do inverno!

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