
A Embrapa e a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto) lançam a BRS Carinás, cultivar de Brachiaria decumbens. O material será disponibilizado ao mercado nesta semana.
A cultivar é indicada para o Cerrado e pode alcançar até 16 toneladas de matéria seca por hectare. O material apresenta produção de folhas e adaptação a sistemas integrados.
Produção e adaptação
A BRS Carinás apresenta tolerância a solos ácidos e com baixo teor de fósforo. O material também amplia a capacidade de suporte e o ganho de peso por área em comparação com a cultivar Basilisk.
“É uma excelente alternativa para diversificar áreas hoje ocupadas pela cultivar Basilisk, também conhecida como ‘braquiarinha’. A Carinás se adapta bem ao período seco do ano e pode ser usada estrategicamente, como no planejamento de ser vedada no fim do verão e reservada para uso na época da seca”, afirma o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Sanzio Barrios, em comunicado.
A Basilisk foi introduzida no Brasil na década de 1960 e teve expansão nos anos 1970. “Seu plantio extensivo no Cerrado brasileiro durante a década de 1970 e a baixa resistência a cigarrinhas das pastagens restringiram seu uso às áreas de baixa ocorrência desses insetos”, informa Barrios.
“Acreditamos que a nova cultivar desenvolvida pela Embrapa e Unipasto atenderá à demanda crescente por uma produção agropecuária mais sustentável e eficiente, uma vez que ela é capaz de elevar a produtividade animal e diversificar as pastagens em áreas de solos fracos e ácidos no Brasil”, completa.
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Desempenho nas estações
Na estação chuvosa, a BRS Carinás produz 18% mais forragem em relação à Basilisk. No período seco, o material pode apresentar 40% mais massa quando vedado.
“Quando vedada para uso no período seco, a BRS Carinás oferece 40% a mais de massa de forragem em relação à cultivar Basilisk, da qual a maior parte [53%] é material vivo [folhas e hastes]”, afirma o pesquisador Allan Kardec Ramos.
Ensaios indicam aumento de cerca de 12% no ganho de peso por hectare em relação à braquiarinha, segundo o pesquisador Gustavo Braga.
Uso em sistemas integrados
A cultivar pode ser utilizada em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária. Em consórcio com milho, não houve interferência na produtividade da cultura anual.
“A cultivar não interferiu na produtividade da cultura anual e se estabeleceu adequadamente numa taxa de semeadura de quatro quilos de sementes puras viáveis por hectare”, explica o pesquisador Roberto Guimarães Júnior.
Na entressafra, a produção de forragem pode ser até 70% superior à Brachiaria ruziziensis. A palhada contribui para cobertura do solo e ciclagem de nutrientes.
“Essa gramínea tem um grande potencial de produzir forragem para uso como palhada no plantio direto”, afirma Guimarães Júnior.
“Todas essas características – não competir com a cultura anual, estabelecer-se adequadamente em consórcio, produzir alta quantidade de forragem no período seco, ciclar nutrientes e ser facilmente controlada com herbicida – fazem da BRS Carinás uma excelente alternativa não só para a diversificação, mas também para a intensificação de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária”, completa.
As sementes da BRS Carinás serão comercializadas por associados da Unipasto. A oferta está prevista para o início do segundo semestre.
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