Vacinação de gado: tire dúvidas sobre agulhas e aplicação de outros medicamentos

Qual a melhor agulha para vacinar gado? Até quantos medicamentos o peão pode aplicar junto com a vacina contra a aftosa? Injeção intramuscular causa mais reação? Por que o bem-estar é importante? Confira as respostas.

Nesta sexta-feira, 17, o Giro do Boi recebeu em estúdio o médico veterinário e gerente de grandes animais da Boehringer Saúde Animal Roulber Silva para responder as principais dúvidas de telespectadores sobre manejo de vacinação contra a aftosa. Ele celebrou a conscientização por parte do pecuarista em aplicar as boas práticas de manejo, mas alertou para pontas que ainda precisam ser melhorados.

“A gente vê que a conscientização está começando a melhorar, como o local da aplicação certa, porém temos que melhorar ainda pontos importantes. Aí a gente puxa um gancho da campanha “Vacina, peão!” que reforça o local certo da vacina, a agulha agulha correta”, ilustrou.

AGULHA PARA VACINAR GADO

Em relação à melhor agulha para a campanha, Roulber recomendou a 15×15. “Ela é polivalente. Serve para todas as categorias, ela faz aplicação subcutânea e o risco é pequeno de ser intramuscular”, indicou. Para fazer a compra correta do material, o veterinário orientou o pecuarista a calcular uma troca de agulha para cada frasco, o que seria uma para cada 50 cabeças em média. “Lógico que no meio do manejo, se entortou a agulha ou se o corte não está muito bom, faça a troca. Esta troca periódica é muito importante”, disse.

Roulber lembrou também que não é necessário jogar a agulha fora depois da vacinação. “Se trocou a agulha precisa jogar fora? Não se estiver com bom corte ou se não estiver torta. Você deve esterilizar, jogar na água e, quando abrir fervura, esperar 10 minutos e desligar. Depois você seca e guarda”, detalhou.

O veterinário afirmou que não recomenda guardar o equipamento no álcool. “Na vacina existem pedaços da proteína do vírus e se você usa álcool, ele não seca da forma adequada e pode acabar desnaturando esta proteína e a vacina pode não funcionar”, salientou.

A REAÇÃO INTRAMUSCULAR CAUSA MAIS REAÇÃO?

Roulber explicou que, na realidade, as reações vacinais não são mais frequentes na aplicação intramuscular. O que ocorre é que a identificação da reação ou abscesso na vacina intramuscular é mais difícil e fazer a toalete da carcaça no frigorífico requer retalhar a carne.

O veterinário esclareceu que as vacinas mais comuns são todas subcutâneas: aftosa, raiva, clostridiose, carbúnculo e endectocidas em geral e pediu atenção para medicamentos desconhecidos ou pouco usuais. “Quando a vacina não é tão comum, a recomendação é olhar a bula e ver o que está indicado”, destacou.

APROVEITANDO O MANEJO PARA OUTRAS APLICAÇÕES

Em participação via Whatsapp, alguns telespectadores enviaram perguntas sobre a possibilidade de aproveitar o manejo no curral para fazer outras aplicações outros medicamentos. Segundo o veterinário, é possível aplicar até quatro produtos ao mesmo tempo, desde que sejam tomados certos cuidados. “Recomendamos fazer no máximo três vacinas mais um endectocida, ou vermífugo”, declarou, reforçando que diz respeito aos produtos da Boehringer Saúde Animal, pois foi os únicos com os quais validou os testes necessários.

Mas o pecuarista deve ter cautela para não causar reações. O ideal é injetar um medicamento de cada lado (no caso de duas aplicações, ou duas de um lado da tábua do pescoço e dois do outro lado (no caso de quatro aplicações) e sempre aplicar cada medicamento com um espaço de mais ou menos um palmo para o outro.

Em um mesmo manejo, entre os quatro medicamentos, além da vacina contra a febre aftosa, é possível aplicar medicamentos contra raiva, clostridiose, tuberculose, carbúnculo ou um endectocida.

 

BEM-ESTAR ANIMAL

Rouber falou também sobre a importância do bem-estar animal no manejo de vacinação. Além de prevenir acidentes e acelerar o tempo até a conclusão da campanha, o bem-estar é fundamental também para que a vacina de fato imunize o rebanho.

“Algo que muitas vezes as pessoas não acreditam é que o bem-estar animal é importante pra vacinação em si e pra essa vacina funcionar. Quando estamos estressados, nossa adrenalina sobe e a imunidade baixa. E aí na hora que aplica a vacina, a resposta imunológica não é adequada. Por isso o trabalho de bem-estar animal tem que estar integrado ao trabalho da vacinação e na cultura da fazenda.

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Confira a entrevista completa de Roulber Silva ao Giro do Boi desta sexta, 17:

 

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