No complexo cenário da pecuária de corte, a suplementação de bezerros em zonas tropicais desempenha um papel crucial para a otimização do crescimento e bem-estar dos animais. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), destacam a importância dessa prática, especialmente a partir do terceiro mês pós-parto, quando a produção de leite das vacas, frequentemente insuficiente, precisa ser complementada por outras fontes de nutrientes.
Essa suplementação tem como objetivo principal compensar deficiências nutricionais e melhorar o desempenho dos bezerros, contribuindo também para a recuperação e potencial reprodutivo da vaca. Em raças zebuínas, conhecidas por proporcionar menor produção de leite, essa prática se torna ainda mais indispensável.
Creep-feeding e suas vantagens
Entre as principais estratégias sugeridas, o “creep-feeding” (ou cocho privativo) se destaca. Este método consiste em fornecer ração balanceada aos bezerros dentro de um cercado acessível apenas a eles, sem separá-los das mães.
Visa aumentar o peso à desmama e familiarizar os bezerros com a suplementação no cocho. Essa prática é particularmente vantajosa quando os animais são destinados a sistemas mais intensivos de criação, como o confinamento, logo após a desmama.
As estruturas para “creep-feeding” requerem um cercado resistente e cochos de dimensões adequadas, garantindo que os bezerros tenham acesso exclusivo e fácil à ração. Técnicas adicionais, como o uso de bezerros mais velhos como chamariz ou a locação estratégica do cercado, podem melhorar a aceitação da ração pelos bezerros.
Creep-grazing (ou pasto privativo)
Ainda pouco utilizado no Brasil, o método consiste em uma suplementação com pasto diferenciado, ou seja, os bezerros também permanecem juntos com suas mães e têm acesso exclusivo a um piquete formado com forrageiras de alto valor nutritivo, pequeno porte e alta densidade, como azevém, aveia, milheto etc. (a leucena pode ser usada quando bem manejada).
Com relação às instalações, as exigências são semelhantes às do “creep-feeding”, sendo o tamanho do piquete proporcional ao número de bezerros e à produção de matéria seca da forrageira escolhida. Corresponde, praticamente, a 5% da área da invernada de cria.
Preparação e administração da ração para bezerro
Para maximizar o crescimento dos bezerros, uma ração eficaz deve conter 16 a 20% de proteína bruta. A mistura básica pode ser composta por 70 kg de quirera de milho e 30 kg de farelo de soja, complementados com sal mineral ou similar para garantir o equilíbrio nutricional.
É vital que a ração seja oferecida em quantidades adequadas (1% do peso vivo dos bezerros) e renovada periodicamente para garantir frescor e evitar desperdícios.
O método de preparo dos grãos é também crucial; grãos devem ser grosseiramente triturados para aumentar o aproveitamento digestivo, e observa-se que os bezerros tendem a preferir grãos inteiros ou rações em pellet a ração farelada.
Impacto econômico e considerações práticas ao criadores
Apesar dos custos associados à suplementação e ao novo manejo, os benefícios em termos de ganho de peso e saúde dos bezerros superam as despesas. Criadores devem considerar a relação custo-benefício, avaliando o preço das rações e sua disponibilidade sazonal.
Além disso, um bezerro bem nutrido tem maior capacidade de enfrentar estresses climáticos e orgânicos futuros, garantindo uma base sólida para o desenvolvimento contínuo dentro da produção de corte.
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