
O telespectador Júnior Almeida, do município de Carira, em Sergipe, atua com pecuária de cria no Agreste sergipano — uma faixa de transição que enfrenta o desafio de chuvas medianas e histórico de déficit hídrico em áreas de sequeiro — e precisa encontrar uma estratégia alimentar eficiente para suas matrizes e bezerros.
Sua dúvida é sobre qual alternativa oferece maior segurança produtiva e financeira: apostar na produção de silagem de milho ou na fenação de capim?
A resposta e o direcionamento técnico foram dados pelo pesquisador da Embrapa Semiárido, Rafael Dantas, um dos grandes conhecedores do agronegócio nordestino. O especialista deu total ênfase ao título do programa, trazendo as recomendações oficiais da Embrapa para o Nordeste e esclarecendo que a silagem deve ser a aposta principal na cabeceira do trato devido ao menor custo por quilo de alimento e ao seu benefício hídrico, devendo o feno atuar como uma reserva estratégica complementar para blindar a fazenda contra a estiagem.
Confira:
A recomendação de ouro: silagem de milho como base do cocho
A principal orientação da Embrapa para o produtor sergipano é adotar a silagem de milho como o pilar central da conservação de forragem na propriedade de cria, apoiando-se em vantagens biológicas e logísticas da região:
- O benefício oculto da água: a silagem possui aproximadamente 65% de umidade (água) em sua composição. Em regiões semiáridas ou de clima seco, esse fator é um trunfo estratégico: ao colocar a forragem na calha do cocho, o produtor está aportando alimento e hidratação juntos, aliviando o estresse hídrico e metabólico do gado.
- Custo por quilo de alimento: no balanço financeiro do eito, o custo por quilo de Matéria Seca (MS) da silagem de milho termina sendo significativamente mais barato e viável do que o do feno, entregando mais quilos de comida por real investido.
- Domínio técnico regional: como o município de Carira (SE) já é um polo agrícola consolidado e tradicional na produção de grãos, o pecuarista local se beneficia do amplo domínio da cultura e da facilidade de acesso a maquinários contratados (plantadeiras, colhedoras e tratores), o que barateia a logística operacional.
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O papel do feno: uma poupança sem exclusão
Embora a fenação exija um processo rigoroso de desidratação no campo — o que eleva o custo operacional e depende de janelas climáticas precisas —, o pesquisador orienta que as ferramentas não se excluem. O feno possui um papel fundamental de armazenamento na fazenda de cria:
- Logística e durabilidade: o feno de gramíneas (capins) é extremamente leve, fácil de estocar em galpões comuns e possui uma durabilidade imensa sem perder a qualidade nutricional, funcionando como um verdadeiro “fundo de reserva” para anos de seca extrema.
- Aproveitamento das águas: o Júnior pode aproveitar o excedente de capim que sobra ou passa do ponto nas pastagens durante o auge do período chuvoso para produzir os fardos. Hoje, a tecnologia de área total — com colhedoras modernas do tipo “Papa-Capim” distribuídas no Brasil — facilita a ceifa e o recolhimento da forragem com alta eficiência.
Sorgo e milheto como alternativas de segurança
Caso o produtor plante em áreas de sequeiro mais severas e queira mitigar o risco de quebras climáticas na lavoura de milho, Rafael Dantas sugere duas alternativas para a produção de silagem:
- Sorgo forrageiro: apresenta excelente tolerância ao estresse hídrico, com custo de implantação menor que o do milho e alta capacidade de produção de massa por hectare.
- Milheto: embora entregue um volume de matéria seca inferior, possui um teor de proteína bruta muito mais elevado, funcionando como uma excelente ração verde para categorias exigentes do rebanho de cria, como as novilhas de reposição.
Dantas recomenda que o produtor deve fazer da silagem de milho a base do seu trato para garantir energia, volume e aquela água preciosa misturada na comida das vacas paridas. Mas não vire as costas para o feno: use o capim que sobra nas águas para fazer fardos de reserva. Diversificar a comida no cocho é o caminho científico para você ter sossego na seca, desmamar bezerros pesados e ver o lucro sobrar no bolso!
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