Chegou aos 45 do 2º tempo na seca sem comida para o gado? Saiba o que fazer

Além de medidas emergenciais que podem ajudar o produtor na entressafra, especialista falou sobre ferramenta gratuita que pode contribuir para o planejamento de longo prazo

Nesta quinta, dia 22, o Giro do Boi exibiu entrevista com o engenheiro agrônomo Fabiano Pessatti, coordenador técnico do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) de Mato Grosso do Sul, para iluminar o difícil caminho de quem não se preparou para uma seca tão severa quanto a que se anuncia para 2021.

Além do período mais longo de estiagem, esta estação seca traz um desafio mais específico desta vez. “Esse ano o principal desafio vai ser a disponibilidade de insumos. O preço do milho subiu consideravelmente e vem puxando também os outros insumos, não só para o concentrado, mas de volumoso também está sendo puxado a partir desta variação. Isso encarece também os valores do boitel, está encarecendo o valor do confinamento e subindo um pouco mais o valor de arrendamento de pasto nesta época do ano. Então o produtor tem que fazer muita conta antes de tomar qualquer decisão, não tomar decisão de cabeça quente, fazer conta, avaliar quais são as oportunidades que ele tem na região dele e avaliar qual o melhor custo x benefício”, ponderou Pessatti.

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O coordenador indicou o que o produtor que ainda não elaborou sua estratégia deve fazer a partir desse momento. “Primeiro, fazer um raio-x da atual situação, avaliar o que você está tendo de expectativa, às vezes até readequar esta expectativa em relação a produtividade e buscar as alternativas que existem na região”, considerou.

“Dependendo da região, essa alternativa será arrendamento de pasto, boitel, fazer a terminação intensiva a pasto (TIP) ou, na pior da hipóteses, você terá que vender animais. Na pior das hipóteses, aquele produtor que chegou aos 45 do segundo tempo, a seca já está lá e ele tem que tomar a decisão e não tem muito mais tempo para planejar e se organizar, nesse caso o pecuarista vai ter que reduzir a lotação da propriedade, reduzir o número de animais dentro da propriedade para reduzir aquela pressão por comida”, alertou.

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“Nesse caso, o produtor vai precisar fazer, na pior das hipóteses, a venda dos animais mesmo sem eles estarem preparados para comercialização ainda, perdendo um pouco no valor, mas sem tomar um prejuízo maior lá na frente”, sustentou.

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A busca por fontes alternativas de alimentos para o gado na entressafra varia conforme a localidade da fazenda, de acordo com o agrônomo. “Ele pode estar buscando outras fontes de alimentos, como sorgo. Produtores mais perto da região de São Paulo podem buscar bagaço de laranja, já os que estão perto da divisa com Mato Grosso têm o DDG, WDG… Então você pode estar buscando outras alternativas também que não sejam somente o milho”, listou.

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Para que não seja surpreendido novamente, Pessatti lembrou das ferramentas das quais o produtor pode lançar mão e desenhar um plano de produção de longo prazo. “Além dos cursos que o Senar oferece, a gente tem a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em bovinocultura de corte, em que a gente disponibiliza técnicos durante 24 meses com visitas mensais. Será feito um planejamento estratégico, avaliando a capacidade operacional, técnica e financeira da propriedade, vamos sentar com o produtor para fazer um planejamento estratégico dos próximos 24 meses avaliando qual o objetivo do produtor, a expectativa que ele tem em relação à produtividade da fazenda e traçar um plano para atingir esses objetivos e metas traçados pelo produtor para, ao final, ele alcançar essas metas e evitar passar por sufocos não programados. Não tem nenhum custo, nenhuma contrapartida para o produtor participar do ATeG. Ele precisa simplesmente procurar o Sindicato Rural mais próximo da sua propriedade, apontar o interesse ou entrar em contato com o departamento de assistência técnica do Senar”, incentivou.

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Confira pelo vídeo a seguir a entrevista completa com o agrônomo e coordenador técnico de ATeG do Senar-MS Fabiano Pessatti:

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